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PARA COMEÇAR A SEMANA A VOZ, A RABECA E O ENCANTO DO MANTO DE SONHOS DE RENATA ROSA

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PARA COMEÇAR A SEMANA…: “João do Vale – O Poeta do Povo”

Sobre João do Vale:

Nascimento
João Batista Vale nasceu em Pedreiras, no Maranhão, a 11/10/1933. Quinto de oito irmãos ajudava em casa, vendendo balas e doces feito pela mãe. Freqüentou a escola até o terceiro ano primário, quando teve de interromper os estudos – não para trabalhar, mas para ceder lugar ao filho de um coletor recém-nomeado para trabalhar em Pedreiras.

Ida para o Rio de Janeiro
Aos 12 anos mudou-se com sua família para São Luis e aos 14 tomou a decisão de morar no Sul – sonhava com o Rio de Janeiro. Como seus pais não o deixariam partir fugiu de trem para Teresina e arranjou emprego como ajudante de caminhão. Viajava de Fortaleza a Teresina, um dia chegou a Salvador, primeira cidade grande que conhecia, e em seguida foi para Minas Gerais. Chegou ao Rio de Janeiro, de carona, aos 17 anos e foi ser ajudante de pedreiro.

Conhecendo artistas famosos
Trabalhava e dormia na construção; à noite percorria as rádios na esperança de se aproximar de algum artista. O primeiro a que teve acesso foi Zé Gonzaga, que a princípio não quis ouvir suas músicas, mas, depois, gostou muito delas e gravou Cesário Pinto, que fez sucesso no Nordeste. Luís Vieira foi o segundo que João procurou, conseguiu que Marlene gravasse Estrela Miúda (de autoria dos dois).

Carreira
Embora não tenha sido fácil, o início da carreira de João do Vale foi rápido, pois ele chegara ao Rio no final de 1950 e, já no ano seguinte, suas músicas começaram a ser gravadas. Em 1952, foi pela primeira vez receber os direitos autorais, surpreendeu-se com a quantia: 200 cruzeiros. Uma fortuna, para quem suava na construção por 5 cruzeiros mensais.

Famosos e João do Vale
Além de Marlene – que gravou várias composições de João -, Luís Vieira, Dolores Duran, Luiz Gonzaga e Maria Inês também cantaram e registraram sues trabalhos com êxito.

Filme
Em 1954, participou com figurante do filme Mão Sangrenta, dirigido por Carlos Hugo Christansen, João do Vale conheceu Roberto Farias – na época assistente de direção, – que, ao se transformar em diretor, convidou o compositor para musicar alguns de seus filmes, como No Mundo da Luz, de 1958. Além disso, em 1969 ele comporia a trilha sonora de Meu Nome é Lampião, de Mozael Silveira.

Apresentações
No Rio, começou a se apresentar no Zicartola – o bar de Cartola e Zica onde compositores se reunião para cantar. Fez sucesso e foi convidado para ali se apresentar às sextas-feiras.

Forró forrado
O show do Forró Forrado foi criado especialmente para João do Vale pelo seu proprietário, seu Adolfo, amigo e admirador do criador de Pena na Pimenta.

Sem gravar discos, por causa da censura, vendendo seus baiões para outros compositores, o poeta estava à margem da indústria cultural. Preocupado com a situação do amigo, seu Adolfo criou o show. Na primeira apresentação, lá estava um grupo de pouco mais de 150 pessoas – a maioria viera para rever e ouvir João do Vale, os que ainda não o conheciam logo se tornaram seus fãs, e o forró transformou-se num sucesso.

Ali, naquele espaço pobre, onde alguns poucos ventiladores aliviavam o calor do salão, a carreira de João do Vale tomou novo impulso, ele passou a acontecer de novo.

A conversa rica e original de João do Vale ia esquentando à medida que os copos se esvaziavam sobre a mesa do boteco e ele, no seu gesto característico, ia libertando os pés das sandálias por debaixo da mesa.

Como todo grande artista, João se antecipou aos cientistas na percepção do mundo social, da tragédia ou da comédia desta vida. Foi assim que, muito antes que a expressão “capilaridade social” ganhasse freqüência na linguagem dos sociólogos, João do Vale já detectava com agudeza o movimento de ascensão que permite a uns poucos sair da miséria para compartilhar da abastança. Em Minha História, ele fala de sua origem pobre e de sua ascensão como artista, mas, quando já com a consciência meio aliviada, no preparamos para festejar sua glória, ele desfaz o jogo de encantamento para terminar denunciando: “Mas o negócio não é bem eu/É Mane, Pedro e Romão/Que também foi meu colega/E continuam no sertão/Não puderam estudar/Nem sabe fazer baião”.

Fim da censura
Em 1975, os ares estavam mais respiráveis, então, João do Vale retornava de Pedreiras para Nova Iguaçu e apresentava, com enorme sucesso, seus show em circuitos universitários.

E ainda esse ano o show Opinião foi reapresentados, após 10 anos da realização do primeiro. Alguns meses depois do segundo show Opinião, João do Vale foi convidado para apresentar-se nos Estados Unidos da América e seu sucesso foi tanto que ele voltou outras vezes.

Em 1976, João preparou e apresentou seu show E agora João? E um de seus melhores momentos era, sem dúvida, o inspiradíssimo xote que colocava um pobre, embora precavida, viúva em maliciosa conversa com um matreiro e assanhado amigo da família. E, lapingochadas à parte, a platéia se deliciava com a desfaçatez, ou melhor, a cara-de-pau dos personagens.

E João do Vale continuou apresentando seus shows por todo o país, vendendo seus LPs, ganhando com direitos autorais.

Doença
Em 1987, quando ia Nova Iguaçu com uma amiga, parou em um restaurante para almoçar. João sentiu-se mal e de repente desabou direto no prato, fulminado por um AVC, mais conhecido como derrame cerebral. Sua acompanhante ficou apavorada e, não se soube se por ignorância ou maldade, saiu correndo e abandonou o local. Então, foi levado inconsciente para o Hospital da Posse de Nova Iguaçu. Sem documento e dinheiro (sua carteira ficara na bolsa da tal acompanhante), foi deixado numa maca e negligentemente abandonado à própria sorte.

Após ficar sem atendimento adequado, teve convulsão e caiu da maca, batendo a cabeça no chão do Hospital. Foi atendido por uma estagiária mais atenta, onde foi reconhecido e a partir daí passou imediatamente de “crioulo sem ter onde cair morto”, para “artista brasileiro negro e talentoso, necessitado de socorro imediato”. Peculiaridades de um país socialmente racista.

João ficou internado por dois anos na ABBR, no bairro Jardim Botânico, para tratar da semi-paralisia do lado direito do seu seu corpo. Nesse período seus amigos se movimentaram para organizar e promover shows em benefício do artista e sua família.

Em 1989 João recebeu alta, onde providenciou a sua aposentadoria, onde passou a viver dessa pensão (cinco salários mínimos) e de direitos autorais.

João do Vale ficou consciente, mas com grande lacunas na memória, cognição afetada, dificuldades na fala, tinha o corpo semi-paralisado e a perna visivilmente atrofiada.

Retorno a pedreiras
Em outubro de 1992 João é homenageado em sua terra natal, com um show no Teatro da Praia Grande. Músicos e intérpretes, de toda uma geração que não pôde vê-lo ao vivo, agora cantavam os sucessos do velho mestre. Na ocasião João revelava que sua intenção era se mudar para a cidade de Pedreiras a fim de passar o resto da sua vida na terra onde nascera.

Então João volta para Pedreiras, mudança fundamental para sua saúde. Ele não cansava de repetir o quanto se sentia bem em sua cidade natal.

Homenagens
Ao completar 60 anos, em 1993, João era lembrado com um show no teatro que levava seu nome, o Espaço Cultural João do Vale, na Praia Grande, em São Luis. Uma semana após o show ele apareceria de surpresa na estréia de Chico Buarque no Canecão, no Rio. Naquele mesmo final de ano, Chico Buarque começou a pensar no projeto de um disco-tributo para João do Vale, com venda a ser revertida para o artista e sua família.

O discou começou a ser gravado, pela BMG – Ariola, em 1994 e tinha direção artística de Chico Buarque, Fagner e Sérgio de Carvalho e participavam vários artistas consagrados trazendo somente composições de João do Vale.

O disco-tributo João Batista Vale recebeu, em 1995, o Prêmio Sharp de melhor disco de música regional.

Morte
No ano de 1996, a saúde João do Vale ia oscilando, apresentando melhoras alternadas com algumas crises.Todo o dia João batia ponto nos jogos de dominó em frente ao Sindicato dos Arrumadores, no centro de Pedreiras. Aos poucos, o estado de João do Vale passava a preocupar cada vez mais. Em 22 de novembro daquele ano, a turma do dominó soube que João não iria para o jogo, pois passara mal e resolvera ficar em casa. No final da tarde foi acometido por um novo acidente vascular cerebral. Apresentando um quadro grave de diabetes, hipertensão arterial e insuficiência renal, no dia 4 de dezembro, sofria seu terceiro e fatal derrame, o que o levou ao coma. E no dia 06 de dezembro de 1996, sexta-feira, às 13h30min, com falência múltipla dos órgãos, morria João Batista Vale, o poeta do povo João do Vale. A pedido seu, antes de morrer, foi enterrado, em 8 dezembro, no modesto cemitério São José, de Pedreiras. Mais de 5 mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre, ao som de Pisa na fulô e Carcará, em arranjo para solo de saxofone de Sávio Araújo.

PARA COMEÇAR A SEMANA… “Chico César e Xangai”

Sobre Chico César, do Dicionário MPB:

No início dos anos de 1990 montou a banda Cuzcuz Clã, com a qual se apresentava em várias casas noturnas paulista, entre eleas Blen Blen Club.

Em 1991, com a composição "Béradêro", classificou-se em terceiro lugar no festival "IX FAMPOP", da cidade de Avaré, em São Paulo. Neste mesmo ano seguiu turnê pela Alemanha. No ano seguinte a composição "Dança" foi classificada em segundo lugar no "X FAMPOP", participando outra vez do disco homônimo do festival.

Em 1995, gravou o primeiro disco, o CD "Aos vivos", produzido por ele e pelo engenheiro de som Egídio Conde e lançado pela gravadora Velas. O disco, gravado num show em São Paulo, contou com as participações de Lenine e Lanny Gordin. Deste disco, destacaram-se várias composições: "Mama África", "À primeira vista", "Mulher eu sei" e "A prosa impúrpura do Caicó", todas de sua autoria. Por essa época, a rádio Musical FM destacou em sua programação duas composições de sua autoria: "Mama África" e "à primeira vista". No ano seguinte, lançou o CD "Cuzcuz Clã", pelo selo MZA, da PolyGram, com o qual ganhou o "Prêmio Sharp" na categoria "Cantor Revelação" e da APCA o prêmio "Melhor Compositor". O CD ainda contou com a produção de Mazzola e participação do guitarrista Lanny e também o baixista africano Bakhiti Kumalo.

Com os sucessos "Mama África" e "À primeira vista", saiu definitivamente do underground paulista para tornar-se conhecido nacionalmente. O clipe de "Mama África" recebeu o "Prêmio de Melhor Vídeo de MPB", pela MTV. Neste mesmo ano, Maurício Tizumba no disco "África Gerais", interpretou de sua autoria "Mandela", parceria com Zeca Baleiro.

No ano de 1997, lançou "Beleza mano", também produzido por Mazzola. O disco contou com várias participações de convidados como o grupo pernambucano Mestre Ambrósio, Dominguinhos, Arrigo Barnabé, Arnaldo Antunes, entre outros. Fez turnê pela Europa e Japão divulgando o CD. Neste mesmo ano, Zeca Baleiro incluiu "Pedra de responsa", parceria de ambos, em seu primeiro disco, "Por onde andará Stephen Fry". No ano seguinte, interpretou "Em nome de deus" (Sérgio Sampaio), faixa do disco "Balaio do Sampaio", CD em homenagem a Sérgio Sampaio produzido por Sergio Natureza, com participação de vários artistas: João Nogueira, Lenine, Zeca Baleiro, Zizi Possi, Erasmo Carlos, Jards Macalé, Luiz Melodia, entre outros.

Em 1999, participou do songbook de Chico Buarque interpretando "Pedro Pedreiro". No ano seguinte, lançou seu quarto CD, "Mama múndi", no qual participaram os percussionistas Marcos Suzano, em quase todas as faixas, e Naná Vasconcelos, apenas em "A força que nunca seca" (c/ Vanessa da Matta) , canção, inclusive, gravada por Maria Bethânia e que deu título ao disco da cantora. Um dos compositores mais requisitados da atualidade, foi gravado por cantoras do porte de Zizi Possi, Elba Ramalho, Rita Ribeiro ("Isso") e Daniela Mercury "À primeira vista", composição incluída na trilha sonora da novela "O Rei do Gado", da Rede Globo.

Em 2001, Suzana Salles interpretou "Xangô" (c/ Suzana Salles) no disco "As sílabas" e a cantora Míriam Maria gravou de sua autoria "As asas" e "Manacá", esta, em parceria com Tata Fernandes.

No ano de 2002 lançou "Respeitem meus cabelos brancos", disco que contou com a participação especial de Chico Buarque na faixa "Antinome". O CD foi lançado no Canecão, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, ao lado de Luciana Mello, Iverte Sangalo, Biquini Cavadão, Paula Toller, Ed Motta e Engenheiro do Hawaii, participou do disco "Um barzinho e um violão", da gravadora Universal Music. Neste mesmo ano Gal Costa no disco "Gal Bossa tropical" regravou de sua autoria "Quando eu fecho os olhos", parceria com Carlos Rennó.
Em 2003 Ana Carolina gravou uma parceria de ambos "Mais que isso". Ainda em 2003, ao lado de MV Bill, Lenine, Tribo de Jah e Fernanda Abreu, participou do CD "Drop the debt" (Cancelem a dívida), organizado pela ONG Dette & Développement, disco para o qual compôs "Devo e não nego".

No ano de 2005 lançou, pela Biscoito Fino, o CD "De uns tempos para cá". No disco, co-produzido por Lenine, incluiu composições suas como "Moer cana", "Alcaçus" e "De uns tempos para cá", além de interpretar "Outono aqui", versão do standard "Autumn Leaves"; "A nível de" (João Bosco e Aldir Blanc); e "Cálice", de Chico Buarque e Gilberto Gil. Fez show de lançamento no Bar do Tom, no qual foi acompanhado pelo Quinteto da Paraíba. Neste mesmo ano, substituindo Lenine, participou da "Sinfonia de São Sebastião do Rio de Janeiro", de Francis Hime, Geraldo Carneiro e Paulo César Pinheiro, com libreto de Ricardo Cravo Albin, apresentada em Paris.

No ano de 2006 lançou, pela Biscoito Fino, o DVD "Encontros e desencontros de uns tempos para cá", gravado ao vivo no auditório do Ibirapuera, em São Paulo, no qual interpretou diversas composições do novo disco e ainda sucessos de carreira, entre as quais "Por que você não vem morar comigo?", "Utopia", "Outono aqui", todas com a participação especial do Quinteto da paraíba; "Por causa do ingresso do festival matou roqueira de 15 anos", com participação de Elba Ramalho. Ainda no DVD foram incluídas cenas extras nas quais o compositor recebeu Maria Bethania na faixa "A força que nunca seca" (c/ Vanessa da Mata); Ana Carolina em "Mulher eu sei", Chico Pinheiro na faixa "De passagem" e Vange Milliet na composição "Lanny qual".

Em 2008 lançou, pela gravadora EMI, o CD "francisco forró e frevo", no qual contou com as participações especiais de Dominguinhos na faixa "Deus me proteja"; Claudionor Germano nas faixas "Marcha da cueca" (Seu Jorge) e "Dentro" (Chico César), além do guitarrista Armandinho e do maestro Spock e sua orquestra. O disco foi lançado em show no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano fez turnê por cidades colombianas e ainda na Europa (Alemanha, Suiça, Itália e França).

Sobre Xangai, também do Dicionário MPB:

Apontado por muitos como um aglutinador de linguagens do sertão, em 1976, gravou seu primeiro disco, pela CBS, "Acontecivento", que apresentou como destaque as composições "Asa branca", o clássico de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, "Forró de Surubim", "Marcha-rancho" e "Esta mata serenou", entre outras. Em 1980, lançou, em conjunto com o primo Elomar, Arthur Moreira Lima e outros, o disco "Parceria malunga", pelo selo Marcus Pereira. Em seu disco "Qué qui tem canário", de 1981, interpretou, entre outras, "Curvas do Rio", "Pé de milho" e "Estampas Eucalol", esta última de Hélio Contreras. Seu terceiro disco solo, "Mutirão da vida", em 1984, teve direção musical de Jaques Morelenbaum e acompanhamento do grupo Cumeno cum cuentro, com Jaques Morelenbaum, no celo, Alex Madureira, na viola, Marcelo Bernardes, no sax, clarineta e flauta, e Mingo, na percussão. Contou ainda com a participação especial de Geraldo Azevedo, Hélio Contreras, Marquinhos do Acordeom, Marcos Amma e Paula Martins. Destacaram-se no disco, entre outras, "Fábula ferida", de Jatobá, "O menino e os carneiros", de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, "Ele disse", de Edgar Ferreira, antigo sucesso de Jackson do Pandeiro sobre a carta testamento de Getúlio Vargas, "Violêro", de Elomar, e "Alvoroço", dele e Capinam. O disco trazia sofisticação instrumental e surpresas rítmicas. No mesmo ano, apresentou show no Teatro Castro Alves, em Salvador, acompanhado de Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias. Do show nasceu o disco ao vivo "Cantoria 1", lançado pela Kuarup, no qual interpretou "Desafio do auto da catingueira", de Elomar, acompanhado do próprio Elomar, "Novena", de Geraldo Azevedo e Marcus Vinícius, que cantou juntamente com Geraldo e Vital, "Cantiga do boi incantado", de Elomar, e "Kukukaya", de Cátia de França. No ano seguinte, com o mesmo grupo, foi lançado o disco "Cantoria 2".

Em 1985, recebeu o prêmio Chiquinha Gonzaga.

Em 1986, lançou o disco "Xangai canta cantigas, incelenças, puxulias e tiranas de Elomar", que contou com a participação do próprio Elomar, João Omar, Jaques Morelenbaum. Estão presentes no disco, entre outras composições de Elomar, "Desafio", "A meu Deus um canto novo" e "História de vaqueiros". No mesmo ano, apresentou-se no Rio de Janeiro, no Teatro João Caetano, no show "Um poeta na praça".

Em 1990, lançou "Xangai lua cheia-lua nova", com destaque para "Xote Maria", "Punhos de serpente" e "Estrela do Norte". Em 1991, lançou o disco "Dos labutos", em que interpreta, entre outras, "Não Rio mais", "Bahia de calça curta" e "Xodó de motorista". Em 1996, lançou com Renato Teixeira o disco "Aguaterra", ao vivo, interpretando "Não Rio mais", "Olhos profundos", "João alegre" e "Nas asas do vento".

Em "Cantoria de festa", seu disco de 1997, interpretou o "Nós, é jeca mas é jóia", de Juraildes da Cruz, "Serra da Borborema", "Meu cariri", "Rei do sertão" e outras. Com este disco recebeu o Prêmio Sharp de Melhor Disco do Ano. No mesmo ano, apresentou as músicas desse mesmo disco em shows em São Paulo e no Paraná. Em seus trabalhos, mistura coco, baião, xaxado, xote, toada e ciranda. Procura cantar os sons de sua terra, criando uma música que se mantém longe dos modismos fonográficos, preservando a identidade da chamada "música de raiz". Em 1998 lançou o disco "Um abraço pra ti, pequenina", gravado com o Quinteto da Paraíba, somente com músicas de compositores paraibanos como José Marcolino, Cassiano, Geraldo Vandré, Chico César, Bráulio Tavares e alguns outros, contando com as participações especiais de Vital Farias, Cátia de França e Pedro Osmar. Em 2002, apresentou-se no Mourisco, em Botafogo, dentro do projeto "Xodó carioca". Na ocasião, apresentou-se ao lado da filha Mariá Porto, líder da banda Belladona. No mesmo ano lançou o CD "Brasileirança", gravado com o Quinteto da Paraíba, no qual interpretou, entre outas, "Pequenina", de Renato Teixeira, "Luz dourada", de Juraildes da Cruz e o "ABC do preguiçoso (Ai d’eu sodade)", um de seus maiores sucessos. Também no mesmo ano, apresentou-se com Elomar, Pena Branca, Renato Teixeira e Teca Calazans no show "Cantoria brasileira", no Teatro da UFF, em Niterói, comemorativo aos 25 anos da gravadora Kuarup, transformado pouco tempo depois em CD.

É uma marca de Xangai fazer turnês por todo o Brasil, sozinho e, muitas vezes, acompanhado de outros artistas. Em 2004, apresentou-se com Juraildes da Cruz, no Centro Cultural Banco do Brasil, (RJ), dando o que a crítica denominou de uma verdadeira aula em treze faixas sobre a variada música sertaneja.

A união dos dois artistas foi tão apreciada pelo público que, no mesmo ano, foi lançado, pela Kuarup, o CD "Nóis é jeca mais é jóia, reunindo os dois artistas. Além de áudio, o CD, que tem co-produção de Xangai com Mário Aratanha, também é CD-Rom, com dois vídeoclipes que mostram, em tela de computador, Xangai e Juraildes cantando no estúdio. Os arranjos do disco foram criados na hora das gravações, contando com a interação dos violões do maestro João Omar, responsável pela direção musical do CD, de Juraildes, e de Xangai, o que resultou num trabalho de rara espontaneidade. Também tiveram participação na obra Chico Lobo (viola caipira), Mariá Porto, que cantou "Enfeites de cabocla", Antônio Adolfo(piano e rebeca). No repertório, "Nóis é jeca mais é jóia", música título do CD, que deu a Juraildes o prêmio Sharp em 1997 e que, no disco, é interpretada em duo. Também clássicos como "Desastando nó", e inéditas, como ""Convida eu" (para Bush e Saddam) e "Bolero de Isabel", solada por Xangai em audio e em vídeo. Os dois vídeoclipes foram filmados e montados por Mário Aratanha e produzidos no Rio de Janeiro, na região de Araras, em Petrópolis, onde o CD foi gravado. Em 2005, apresentou-se com Juraildes da Cruz, acompanhados de João Osmar, na Sala Funarte, no Rio de Janeiro.

Seu primeiro DVD "Estampas Eucalol", lançado em 2006, trás uma cantoria de 78 minutos gravada ao vivo no Rio de Janeiro, e uma entrevista de 55 minutos feita em Salvador e ilustrada com depoimentos e números musicais, contando também com participação especial de Elomar (uma de suas raríssimas aparições em video). A produção é ilustrada as Estampas Eucalol, famosas no jogo publicitário dos anos 1950/60 e abrange os maiores sucessos de Xangai, além de algumas inéditas. Participam da parte da cantoria do DVD os músicos João Omar (violão); Ocelo Mendonça (violoncelo, flauta); Ferretti (percussão), além da participação especial de Mariá Porto (voz). Na sequência, os números:

1. (abertura) Estampas Eucalol (Hélio Contreiras);

2. Violero (Elomar);

3. Canção Primeira (Geraldo Vandré);

4. Curvas do Rio (Elomar)

5. Pequenina (Renato Teixeira);

6. Galope à Beira Mar Soletrado (Xangai / Ivanildo Villa Nova);

7. Estampas Eucalol (Hélio Contreiras);

8. Qué qui tu tem Canário? (Xangai/ Capinam);

9. Puluxia das Sete Portas (Elomar)

19. Dos Labutos (Elomar);

11. Bolero de Isabel (Jessier Quirino);

12. João e Duvê (Maciel Melo);

13. El Carretero (José René Moreno K.);

14. Muqueca de Cágado (Demóstenes Campos / Xangai);

15. Enfeites de Cabocla (Juraildes da Cruz / João Gomes);

16. Matança (Jatobá);

17. Cantiga de Amigo (Elomar)

18. Kukukaya (Cátia de França);

19. (créditos finais) Cumeno cum Cuentro (Alex Madureira).

Na parte da entrevista, as participações de Chico Lobo, Juraildes da Cruz, Hélio Contreiras e Elomar, além dos acompanhamento musical de João Omar, Ocelo Mendonça, Marcelo Bernardes, e Ferreti. A direção e montagem tem a assinatura de Mario de Aratanha.

PARA COMEÇAR A SEMANA, O TANGO DA BELA ADRIANA VARELA

Beatriz Adriana Lichinchi, nome artístico Adriana Varela (Buenos Aires, 9 de maio de 1952) é uma cantora argentina. Conhecida internacionalmente, tanto por seus álbuns dedicados ao Tango quanto por alguns pequenos papéis no cinema, e considerada uma das maiores cantoras de Tango da atualidade.

Adriana Varela começou sua carreira no mercado fonográfico em 1991, com o álbum Tangos, agraciado com o prêmio ACE. Dois anos depois, lançou Maquillaje, no qual incluía canções previamente registradas no álbum de estréia. Por aquele seu segundo álbum, que trazia as participações de artistas renomados como o cantor Roberto Goyeneche e o pianista Virgilio Expósito, recebeu o prêmio ACE pelo segundo ano consecutivo. Entre os anos de 1991 e 1996, a cantora gravou outros três trabalhos: Corazones Perversos, Tangos de Lengue e Tango en Vivo, gravado ao vivo no Teatro Coliseo de Buenos Aires. A participação em diversos festivais como o La Mar de Músicas, em Cartagena, Espanha, o Porto Alegre em Cena, em Porto Alegre (1997), e o Grec Festival em Barcelona, fez com que sua carreira internacional ganhasse impulso entre os anos de 1996 e 1998. Seu mais conhecido trabalho é o álbum “Cuando el río suena”, cuja direção artística foi do renomado produtor Jaime Roos. O álbum reúne canções e ritmos do Uruguai e da Argentina – o tango, o candombe, a murga e a milonga, entre outros – e foi aclamado por seu valor cultural ao resgatar as aproximações entre a música produzida dos dois lados do Rio da Prata. Adriana Varela participou ainda do projeto Bajofondo Tango Club, um grupo alternativo de “electro-tango”. Em 2001, lançou o álbum Más Tango. Seu mais recente trabalho é Encaje (2006), também dedicado ao tango. Com esses dois álbuns, apresentou-se na França, na Itália e nos Estados Unidos da América. A cantora atuou em alguns filmes argentinos, como Al Corazón, dirigido por Mario Sábato, e o renomado filme de Marcelo Piñeyro, Plata Quemada.

PARA COMEÇAR A SEMANA… : Taiguara – Que as Crianças Cantem Livres

Sobre Taiguara, o Poli escreveu:

“Nascido nos fins da segunda guerra mundial, em Montevidéu, Uruguai, Taiguara embarcou na viagem por este plano de existência já com trilha sonora: o avô, Glaciliano, era compositor popular; o pai, Ubirajara Silva, era famoso maestro; e a mãe, Olga Chalar, era cantora. Taiguara, como o pai, tocava bandoneón. Aos quatro anos, foi morar no Rio de Janeiro. Aos quinze, foi para São Paulo. Mas passou também por Recife, Tanzânia, Londres, França, Etiópia. Carregando sempre, é claro, a América Latina, a exploração, a marca do sangue de todas as cores e etnias, derramado em nome da exploração e do enriquecimento do Norte, nas veias abertas relatadas por outro uruguaio, Eduardo Galeano.

Iniciando sua carreira musical, andou pelas bandas da anódina e alienada bossa nova. Mas ela não andou nele. Na sua primeira apresentação musical, em 1964, às portas do golpe, cantou “Poema dos Olhos da Amada”, de Vinícius de Moraes. Mas logo, Taiguara percebeu que interessava mais aos habitantes da República do Leblon os saraus no Carnegie Hall do que a luta pela liberdade num Brasil tomado pelo militarismo subserviente ao capital estadunidense. Taiguara chegaria a dizer que a MPB sempre torceria o nariz a um operário que quisesse cantar com as estrelas da burguesia.

Em 1971, as músicas do disco “Ilha” tiveram problemas com a censura. Chegou a ter 11 músicas proibidas. O trabalho seguinte, Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara, teve as canções assinadas pela esposa do compositor, Gê Chalar da Silva, para despistar os censores. Teve ainda a participação de Hermeto Pascoal e Wagner Tiso.

Embora um tanto desprezado pela muitas vezes docilizada MPB, as canções de Taiguara explodiam nas rádios (sem jabá): Universo do Teu Corpo, Hoje, Viagem e Teu Sonho Não Acabou, são algumas.

Porém, o show de lançamento do disco Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara, foi proibido pela censura, e Taiguara resolveu se auto-exilar. Andou em Paris (1976), Etiópia e Tanzânia (1978). Voltou, então, ao Brasil. Taiguara, filho e neto de músicos, cresceu ouvindo música e instrumentos musicais de todas as vertentes. Sua música é sempre de uma rica orquestração, e ele, que surgiu na chamada segunda geração da bossa nova (com Chico Buarque, Toquinho, e outros), faria dessa musicalidade uma forma de expressão do socialismo da suavidade, que ele sempre carregou.

A DITADURA, CIVIL OU MILITAR, NÃO ESTÁ À SERVIÇO DO POVO”.

Para quem conheceu o Taiguara das baladas românticas do final dos anos 60, e não tinha idéia do que acontecia ao redor de si, foi um abalo quando o compositor deum uma guinada no seu estilo musical. Quem acostumou a associar Taiguara e canções como Hoje e Universo do Teu Corpo, não o reconheceu quando o samba, os ritmos africanos e a musicalidade latinoamericana começaram a saltar e transbordar os arranjos e motivos das canções.

Se o público que consumia o romantismo pasteurizado da bossa nova de Toquinho, Vinícius e da Jovem Guarda achou uma novidade a mudança na trajetória de Taiguara, para quem o conhecia e ouvia para além da persistência das imagens sonoras no ouvido domesticado, não era nada de novo. Quem não gostou, teve de se ater com Guilherme Arantes, Ivan Lins, ou o já velho quando novo, Roberto Carlos.

Taiguara, socialista, cantava sim, o amor. Mas não se reduzia ao amor sensual e individualizante: para ele, o amor tinha de transbordar no social, e construir comunidades mais vastas. E isso, antes de Toni Negri. Do início dos anos 80 até o final de sua carreira, em 1996, Taiguara passeou pela sonoridade latina, sobretudo guarany, e pela africanidade presente no samba. Depois do disco “Canções de Amor e Liberdade”, de 1984, ele passou a compor o Samba Afri, totalmente dedicado ao que ele chamava de “Brasil africano”. Taiguara, socialista, admirador de Luis Carlos Prestes (a quem dedicou a música biográfica O Cavaleiro da Esperança), encontrava em Lula e no PT de sua época, a única alternativa de partido político que leva a luta da classe trabalhadora. Taiguara foi profético.”

PARA COMEÇAR A SEMANA: “Bajofondo Tango Club”

A partir del éxito internacional de proyectos de fusión de tango con electrónica, principalmente Gotan Project, Gustavo Santaolalla y Juan Campodónico encararon una fusión propia a la que denominaron Bajofondo Tango Club. El grupo cuenta con invitados como Luciano Supervielle, Juan Blas Caballero, Emilio Kauderer, Diego Vainer y Didi Gutman, además de Pablo Mainetti, Adrián Iaies, Javier Casalla, Adriana Varela y Cristóbal Repetto. El resultado es un primer disco editado en el año 2003, con gran interacción entre las partes tocadas, las programaciones y el sampleo de voces e instrumentos. Las composiciones incluyen temas propios, canciones de autores como Jorge Drexler, y también clásicos como “Naranjo en flor”. El conjunto se presentó en vivo en festivales, teatros y show’s al aire libre, tanto en Argentina como importantes escenarios de Europa. En enero del 2005 ganaron un importante premio de la BBC Awards y presentan un disco de remixes. En 2007 lanzan al mercado su nuevo material titulado "Mar dulce" con el que emprenden giras de presentaciones por todo el país y el extranjero.

UM CONTO, UMA HISTÓRIA, UMA POESIA…

A Brigitte Bardot está ficando velha,
envelheceu antes dos nossos sonhos.

Coitada da Brigitte Bardot,
que era uma moça bonita,
mas ela mesma não podia ser um sonho
para nunca envelhecer.

A Brigitte Bardot está se desmanchando
e os nossos sonhos querem pedir divórcio.

Pelo mundo inteiro
têm milhões e milhões de sonhos
que querem também pedir divórcio
e a Brigitte Bardot agora
está ficando triste e sozinha.

Será que algum rapaz de vinte anos
vai telefonar
na hora exata em que ela estiver
com vontade de se suicidar?

Quando a gente era pequeno,
pensava que quando crescesse
Ia ser namorado da Brigitte Bardot,
mas a Brigitte Bardot
está ficando triste e sozinha

Brigitte Bardot, Tom Zé.