Psiquiatras italianos refletem sobre legado de Reich e aprofundam suas teses

Surrupiado do Blog do Favre:

21 de janeiro de 2012

Regina Schöpke – O Estado de S.Paulo

Se a vida é mesmo um “crivo no caos”, como afirma o filósofo Gilles Deleuze, pode-se dizer então que ela é uma espécie de luz persistente e pulsante que ora se acende, ora se apaga, ininterruptamente, na escuridão de um universo que tende sempre à dissolução. A vida, neste sentido, é resistência, é potência, é “pura zona de indeterminação”, como dizia outro filósofo, Henri Bergson, que tanto inspirou o médico e psiquiatra Wilhelm Reich (1897-1957) em sua busca pela compreensão dos processos vitais.

É verdade que Reich sentiu-se primeiramente atraído pela psicanálise, mas não demorou muito tempo para que as divergências entre ele e Freud se fizessem sentir. É assim que ocorre com todo pensador genial: ele sempre é devedor de algum outro grande pensador, mas dificilmente se submeterá a um sistema que não tenha nascido de suas próprias investigações e reflexões. Em outras palavras, Reich rompeu com o seu mestre, mas nem por isso deixou de reconhecer o seu mérito, sobretudo no que diz respeito à descoberta da energia sexual – noção que, posteriormente, Reich ampliará, mostrando como ela se insere num circuito maior, o da bioenergia ou energia da vida. Isto, de certa forma, inverte a questão freudiana. Não se trata de buscar a origem das doenças nos distúrbios da sexualidade, mas a própria sexualidade adoecida do homem é produto dos transtornos dessa energia vital.

De fato, Reich concorda com Nietzsche quando este afirma que “o homem é um animal adoecido”. Mas isso não pode ser entendido como uma defesa ingênua da “teoria do bom selvagem” de Rousseau. Trata-se, simplesmente, de uma constatação: a de que o homem tem sido violentamente impedido de pulsar, de sentir, de viver de um modo saudável suas emoções, seus sentimentos, sua sexualidade, sua natureza de um modo geral. A simples ideia de que isto é incompatível com os interesses da cultura e da sociedade mostra quanto a humanidade está entregue às ilusões que criou e aos tabus que a impedem de problematizar de modo maduro essas questões.

Reich, como era de se esperar, não foi plenamente compreendido em sua época e mesmo hoje ainda causa desconforto e desconfiança – o que se explica pela má interpretação de suas ideias, frequente até mesmo entre os que apreciam a sua obra. Afinal, não é incomum vermos a ideia reichiana de energia ser associada a todo tipo de misticismo ou mesmo ver a sua luta pela plenitude da vida humana ser confundida com uma apologia das perversões sexuais. Nada é mais impreciso do que supor um Reich devasso, até porque, de certo modo, ele sempre ligou a sexualidade plena e feliz muito mais ao amor do que à busca do puro prazer. Afinal, para ele, não se trata de uma busca desenfreada do prazer, mas de se chegar à plenitude real do prazer. Também aqui parece que Reich está em sintonia com Nietzsche quando este último afirma que “a orgia não é alegria, mas a ausência dela”.

Pois bem, é por esta e por outras razões que o livro Psicopatologia e Caráter, dos psiquiatras italianos Genovino Ferri e Giuseppe Cimini, parece-nos hoje tão essencial. Afinal, além de nos ajudar a esclarecer certos pontos cruciais da teoria reichiana, ele apresenta novas perspectivas de análise, tanto no que tange à formação do caráter dos indivíduos quanto à própria terapêutica reichiana. Sim, os neorreichianos Ferri e Cimini estão inclinados a levar ainda mais longe as reflexões reichianas, não descartando, por exemplo, a necessidade dos fármacos em certos casos. Que o corpo (ou a corporeidade) já tenha, desde Reich, entrado em cena no Setting Analítico, isto jamais significou uma preponderância do fisiológico sobre o psíquico, mas, sim, que existe uma inexorável unidade biopsíquica (o que, em filosofia, é chamado de “paralelismo psicofísico”). Isto quer dizer que o que é marca na psique é marca no corpo e vice-versa.

É seguindo essa perspectiva que Ferri e Cimini vão pensar a vida em uma visão “neguentrópica-sistêmica” (o que significa, como dissemos antes, que a vida resiste ao caos, que ela está em constante evolução e mudança, sempre se organizando e se reorganizando na busca de se perpetuar; é assim que ela traz um tempo diverso do tempo do mundo). Por conta disso, os eventos que marcam a vida de um indivíduo se iniciam já na fecundação, que representa, antes de qualquer outra coisa, o nascimento de um novo núcleo energético que eles chamam de “Si”.

É a partir deste primeiro florescimento que o “Si” começa a estabelecer relações e encontros sucessivos que determinarão seu coeficiente de energia, seu “quantum” de força (o seu “conatus” ou ímpeto de vida ou existência, para usar uma expressão de Espinosa – filósofo que compreendeu, como nenhum outro, a importância dos afetos e das relações como forma de potencialização ou despotencialização de um ser). É a partir daí que se originam os caracteres, que vão desde o escorregadio e assustado intrauterino até o confiante e alegre caráter genital (caracteres que não são fixos e imutáveis, apesar de serem persistentes). Em poucas palavras, como nos mostram os autores, as diferentes cargas energéticas do “Si” atuam como um fator essencial na produção dos modos de ser deste “Si” – que não pode ser pensado fora da relação com o “Outro de si”. Este “outro” ou “outros” são os nossos afetos, mas também o mundo que nos circunda e ao qual estamos intrinsecamente ligados. Sim, a vida é um sistema aberto (por isto mesmo precisa de trocas contínuas com o meio). “Tudo está em relação”, já dizia Espinosa.

De fato, Ferri e Cimini sabem bem o significado do conceito de relação. Daí porque eles entenderão a própria terapêutica a partir de um jogo no qual o caráter do terapeuta também se manifestará. Nisso eles rompem com a ideia clássica do observador-observado, como se estivéssemos diante de uma relação passiva. Resumindo: estamos falando de uma ciência da vida e não de uma lógica matemática e determinista. Não se trata mais de atingir a doença pelos seus efeitos, mas de entender que ela própria é resultado da maneira como cada um de nós sente e experimenta a própria existência.

REGINA SCHÖPKE É FILÓSOFA, MEDIEVALISTA, E AUTORA DE MATÉRIA EM MOVIMENTO, DICIONÁRIO FILOSÓFICO (MARTINS FONTES)

O DESAPARECIMENTO DO REAL NO COTIDIANO EM DOIS CLIQUES

1) Sobre o suposto estupro BBBanal, obsceno não é um estupro transmitido em cadeia nacional. É existir uma sociedade cujos mecanismos de produção de existência cheguem ao ponto degradante de necessitar simular o real para não ter de elaborá-lo. Uma sociedade onde o absurdo precisa ser simulado para que o absurdo do real possa ser apagado. Existir uma emissora que utiliza o espectro eletromagnético para transmitir tal programação, é, por si só, estupro o suficiente, e coletivo. De resto, o ocorrido, se ocorreu, é assunto pessoal, restrito à esfera jurídica da individualidade genital de cada um dos envolvidos.

2) Sobrevivente do naufrágio do cruzeiro marítimo italiano diz que se sentiu “como se estivesse no Titanic”. Ora, o inusitado não é a “lembrança” (ela jamais poderia se sentir no Titanic, pois nunca esteve lá). É a substituição gradual da experiência factual pela imagem produzida pela sociedade telemática. Não se vive mais a experiência, ela não é elaborada, não produz modos de existir. Apenas faz-se um registro mnemônico, sob a referência do imaginário social, registra-se e arquiva-se. Embotamento afetivo e existencial puro.

Bem vindo ao mundo do suprarreal!

COMO HÁ 512 ANOS ATRÁS…

Indígena de 08 anos de idade, da etnia Aeá-Gwajá, queimado vivo para diversão dos madeireiros locais, na região de Araribóia, município de Arame, Maranhão, terra de José Sarney. Nem ele nem sua filha, atual governadora, se manifestaram sobre o caso.

Mais, aqui.

NA EUROPA, A TROIKA JÁ TE PEGOU (AI SOU EU QUE PAGO)

ATUALIZADA LISTA SUJA DO TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL

Rãs nadam em a água que era consumida pelos empregados libertados. Leia mais (Foto: SRTE/MA)

Rãs nadam em a água que era consumida pelos empregados libertados. Leia mais (Foto: SRTE/MA)

Da Agência Repórter Brasil

Cadastro de empregadores flagrados com escravos atinge número recorde e reflete impacto indesejado do avanço da monocultura e de grandes projetos

Por Bianca Pyl, Daniel Santini e Maurício Hashizume

A “lista suja” do trabalho escravo, cadastro de empregadores pegos em flagrante na exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão, nunca teve tantos nomes. Atualizada nesta semana, a relação cresceu com a entrada de 52 novos registros e chegou ao recorde de 294 nomes. Entre os que entraram estão alguns dos principais grupos usineiros do país, madeireiras, empresários e até uma empreiteira envolvida na construção da usina hidrelétrica de Jirau. A lista inclui ainda médicos, políticos, famílias poderosas e casos de exploração de trabalho infantil e de trabalho escravo urbano, que será tema de reportagem especial da Repórter Brasil nos próximos dias.

Após serem flagrados explorando mão-de-obra escrava, todas as pessoas e empresas tiveram chance de defesa em processos administrativos. Somente depois de esgotados todos os recursos, foram incluídas no cadastro. Entre os novos registros, há casos como o de Lidenor de Freitas Façanha Júnior, cujos trabalhadores, sem opções, bebiam água infestada com rãs, e o do fazendeiro Wilson Zemann, que explorava crianças e adolescentes no cultivo de fumo.

Entre os estados com mais inclusões nesta atualização estão novamente o Pará e o Mato Grosso, com nove e nove nomes inseridos, respectivamente. A incidência do problema no chamado arco do desmatamento demonstra que a utilização de trabalho escravo na derrubada da mata para a expansão de empreendimentos agropecuários segue presente.

A inclusão na “lista suja” limita o acesso a crédito em instituições públicas e privadas, e também dificulta negociações comerciais. As empresa signatárias do Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, dentre as quais estão alguns dos principais grupos empresariais do país, assumiram o compromisso de não comprar mais de fornecedores cujos nomes estejam no cadastro.

Os empregadores permanecem na lista por pelo menos dois anos, período no qual serão monitorados. Após este prazo, somente aqueles que sanarem as irregularidades, quitarem as multas e não reincidirem na exploração de escravos serão excluídos. Nesta atualização, apenas dois nomes foram retirados do cadastro (Dirceu Bottega e Francisco Antélius Sérvulo Vaz), o que pesou para que a relação chegasse a quase 300 registros.

Escravos da cana
Entre os destaques da atualização estão libertações que chamam a atenção pelo grande número de escravos resgatados em plantações de cana-de-açúcar. Só na Usina Santa Clotilde S/A, uma das principais de Alagoas, foram flagrados 401 trabalhadores em situação degradante em 2008. Este não é o único caso de falta de condições de trabalho adequadas em frentes de trabalho organizadas para o corte em latifúndios especializados em monocultivo.

Também entra nesta atualização a Usina Paineiras, que utilizou 81 escravos em Itabapoana (RJ) em 2009. Um ano após o flagrante que resultou nesta inclusão, a empresa comprou a produção da Erbas Agropecuária, onde foram flagrados 95 trabalhadores escravizados. Em seu site, a usina afirma ter preocupação com os empregados e faz propaganda do seu “Plano de Assistência Social”.

Mesmo com o aumento da preocupação social por parte das usinas, real ou apenas declarado, o setor ainda emprega mão-de-obra escrava. Recentemente, foram encontrados escravos até mesmo em colheitas mecanizadas de cana.

Além das usinas, outras empresas incluídas nesta atualização também têm o costume de apregoar ações sociais na internet. É o caso da Miguel Forte Indústria S/A, flagrada explorando 35 trabalhadores, incluindo três adolescentes, na colheita de erva-mate em Bituruna (PR). A madeireira, que mantinha o grupo em barracões de lona sob comando de “capatazes”,  anuncia na sua página que “o apoio a projetos sociais que promovem a cidadania e o bem-estar, principalmente entre a população carente, mostra o comprometimento da Miguel Forte com os ideais de uma sociedade mais justa e humana”. À frente da empresa, Rui Gerson Brandt, acumula o cargo de presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Paraná (Sindpacel).

Hidrelétrica de Jirau
Não é só na monocultura ou no campo que os flagrantes acontecem. As condições degradantes em projetos bilionários do país têm sido uma constante e, nesta atualização, uma das empreiteiras envolvidas na construção de uma hidrelétrica também entrou na lista. A Construtora BS, contratada pelo consórcio Energia Sustentável do Brasil (Enersus), foi flagrada utilizando 38 escravos na construção da Usina Hidrelétrica de Jirau.

Além de enfrentarem problemas relacionados aos alojamentos, segurança no trabalho e saúde, os empregados ainda eram submetidos a escravidão por dívida, por vezes em esquemas sofisticados que envolvem até a cobrança por meio de boletos bancários, conforme denunciado pela Repórter Brasil.

Mesmo após o flagrante, as condições de trabalho não melhoraram, segundo denúncias recentes. Em abril deste ano, um grupo de 20 trabalhadores procurou o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia (Sticcero) alegando que a BS não havia pago o aviso prévio e eles estavam dormindo no galpão da Construtora, sem ter como voltar para casa. Uma liminar chegou a bloquear os bens da empresa em 2011.

O isolamento, aliás, continua sendo utilizado como ferramenta para escravizar pessoas. Nesta atualização da lista, foi incluído Ernoel Rodrigues Junior, cujos trabalhadores estavam em um local de tão difícil acesso que foi necessário um helicóptero para o resgate dos trabalhadores.

Entre os libertados estavam dois adolescentes de 15 e 17 anos e uma de 16 anos. Para chegar no local em que o grupo estava, foi necessário percorrer a partir de São Félix do Xingu (PA) por 14 horas um caminho que contava com uma ponte de madeira submersa, balsa e estradas de terra em condições tão ruins que foi necessário o uso de tratores para desatolar alguns dos veículos. De acordo com os relatos colhidos pela fiscalização, todos tinham medo de reclamar porque o fazendeiro e o segurança da propriedade andavam armados. Para que conseguisse fazer a denúncia, um trabalhador explorado conseguiu fugir e teve de caminhar durante seis dias pela mata e por estradas de terra.

Família Peralta
Outro destaque na atualização da “lista suja” neste ano é a inclusão de Fernando Jorge Peralta pela exploração de escravos na Fazenda Peralta, em Rondolândia (MT). O Grupo Peralta é um conglomerado empresarial poderoso, do qual fazem parte a rede de supermercados Paulistão, a Brasterra Empreendimentos Imobiliários, as concessionárias Estoril Renault/Nissan (em Santos, Guarujá e Praia Grande), os shoppings Litoral Plaza Shopping e Mauá Plaza Shopping (cuja construção, na época, envolveu uma denúncia de propina), a Transportadora Peralta (Transper) e a PRO-PER Publicidade e Propaganda, só para citar os principais ramos de atividade do grupo.

Os Peralta começaram os negócios na década de 1950 em Cubatão (SP). Em 2006, o escravagista Fernando Jorge foi um dos homenageados pela Câmara de Cubatão na comemoração dos 50 anos da família no Brasil. O flagrante que levou Fernando Jorge à “lista suja” aconteceu em 2010 e envolveu a libertação de 11 trabalhadores de sua fazenda.

Entraram na lista em 31.12.2011:

Agro Pastoril Novo Horizonte S/A    78.231.701/0009-86
Antônio Aprígio da Rocha    044.352.903-59
Antonio Carlos Carvalho da Silva    025.346.492-72
Antônio Erisvaldo Sousa Silva    848.437.303-78
Antonio Sabino Rodrigues    542.529.626-68
Carlos Augusto de Freitas    173.008.601-25
Carvoaria Chapadão Ltda.    11.007.755/0001-34
Clauber Almeida Lima    243.485.702-72
Cláudio Augustos Rodrigues    026.484.708-32
Clézio Oliveira Naves    841.635.001-97
Construtora BS Ltda.    00.521.472/0003-51
Construtora Talaska Ltda.    08.722.775/0001-82
Edmar Koller Heller    239.538.379-15
Ernoel Rodrigues Junior    478.378.881-20
Estrela Agroflorestal Ltda.    79.441.168/0001-92
Evanildo Nascimento de Souza    242.809.925-68
Fazenda Brasnor Agropecuária S/A    04.885.034/0001-61
Fernando Jorge Peralta e Outros    017.518.598-00
Francisco Costa da Silva    154.167.984-91
Francisco Silva Cavalcante    040.486.522-49
Gilson Afonso dos Santos    195.532.425-53
J. L. Zanetti  ME – Hotel São Marcos    07.264.587/0001-95
José Gomes dos Santos Neto    023.090.564-13
José Palmiro da Silva Filho    111.577.121-34
José Rodrigues dos Santos    598.157.285-04
Laert Bolsoni     011.886.158-15
Lidenor de Freitas Façanha Júnior    253.380.723 – 00
Luiz Carlos Brioschi    379.675.257-87
Luiz Geraldo Ferreira ME    80.031.263/0001-97
Manoel Marchetti Ind. e Com. Ltda.    84.148.436/0005-46
Manoel Roberto de Almeida Prado    048.049.701-00
Marcus Aristóteles Zilli    041.320.049-37
Marcus Aurélio Caetano    547.704.326-15
Marizete Alves Silveira Araraquara ME    03.335.501/0001-17
Miguel Forte Industrial S/A-Papéis e Madeiras  81.645.525/0005-00
Nelson Luiz Pereira    949.100.306-20
Olegário Germano Ullmann ME     73.282.154/0001-05
Osmar Brioschi  752.194.507-78
Osmar Richter    277.821.079-20
Ovídio Octávio Pamplona Lobato    008.492.602-30
Pedro Eustáquio Pellegrini    350.483.286-04
Reniuton Souza de Moraes    248.452.561-34
Rui Carlos Dias Alves da Silva    050.386.934-15
Sormany Amorim de Souza    557.670.605-68
Tarcio Juliano de Souza    654.016.702-49
Thiago Neiva Honorato    003.308.741-52
Transportes Ari Barbieri Ltda.    72.316.540/0001-90
Usina Paineiras S/A    27.777.903/0001-30
Usina Santa Clotilde S/A    12.607.842/0001-95
Valdivino da Rocha    169.919.661-34
Viderlândio Rodrigues dos Santos    307.338.122-87
Wilson Zemann    791.249.419-72

Saíram da lista em 31.12.2011:

Dirceu Bottega 159.095.909-44
Francisco Antelius Servulo Vaz 080.277.733-34

Os integrantes da família Peralta não são os únicos que receberam homenagens após denúncias de uso de escravos. Luiz Carlos Brioschi e Osmar Brioschi, que também entram na lista nesta atualização, foram flagrados se aproveitando de 39 trabalhadores na colheita do café em Marechal Floriano (ES). Eles mantinham os empregados em regime de escravidão por dívidas e em condições extremamente precárias de trabalho e vida. Dois dias após a libertação ter sido divulgada, Osmar Brioschi esteve entre os homenageados com placas e diplomas na Assembleia Legislativa do Espírito Santo pelo “trabalho realizado em favor do campo capixaba”, por iniciativa do deputado Atayde Armani (DEM-ES).

Devastação ambiental
Outro aspecto reforçado pela atualização da lista é o elo entre escravidão e devastação ambiental. O uso de escravos em grandes projetos de desmatamento e em áreas com conflitos agrícolas é bastante comum. Desta vez, foi incluído na relação Tarcio Juliano de Souza, apontado como responsável pela destruição de milhares de hectares de floresta amazônica nos últimos anos.

Ele é considerado pela Polícia Federal (PF) responsável por montar um esquema para desmatar cerca de 5 mil hectares de floresta nativa na região de Lábrea (AM), onde mantém a Fazenda Alto da Serra. Ele já chegou a ser preso em Rio Branco (AC) pelos crimes de redução de pessoas a condições análogas à escravidão, aliciamento de trabalhadores e destruição de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e foi denunciado por tentar comprar um fiscal. Na época, o superintendente regional do trabalho Dermilson Chagas declarou que Tárcio estava à frente de um “consórcio de fazendeiros” do Acre formado para transformar grandes áreas de Lábrea (AM) em pastos, com a utilização criminosa de escravos para o desmate, para criar gado bovino.

Também consta na inclusão a empresa Manoel Marchetti Indústria e Comércio Ltda, pelo uso de 15 escravos em Porto Velho (RO). Trata-se de um grupo empresarial que, no começo da década de 2000, no comando da Fazenda Ipê, em José Boiteux (SC), envolveu-se em disputa por terras com uma comunidade indígena da reserva Duque de Caxias. Na ocasião, a Funai acusou exageros por parte da Polícia Militar na expulsão dos índios do território em disputa. Mesmo após o flagrante de trabalho escravo em Porto Velho e o histórico de conflito com índios em Santa Catarina, o Senado aprovou, em novembro de 2010, outorga para a a Associação Recreativa e Esportiva Grupo Manoel Marchetti para uma rádio comunitária por dez anos em Ibirama (SC), com voto favorável do senador Flávio Arns (PSDB-PR).

Doutores em escravidão
Um ex-prefeito, um ex-secretário municipal do Meio Ambiente e dois médicos estão entre os que entraram na relação nesta atualização. O ex-prefeito Edmar Koller Heller foi flagrado em 2010explorando mão-de-obra escrava em um garimpo na Fazenda Beira Rio, que fica em Novo Mundo (MT), a 800 km da capital mato-grossense Cuiabá (MT), próximo à divisa com o Pará. Edmar foi prefeito de Peixoto de Azevedo (MT) em 2000, pelo extinto PFL (hoje DEM). Teve seu mandato cassado após ser acusado de desvio de recursos públicos, contratação de pessoal especializado sem licitação e contratação ilegal de veículos automotores de auxiliares de confiança.

Em 2007, ele se envolveu em outro escândalo político e chegou a ser preso. Como secretário de Administração da prefeita Cleuseli Missassi Heller, sua esposa, ele foi considerado responsável por improbidade administrativa, configurada pelo favorecimento de uma única empresa em processos licitatórios do município. Em 2009, a Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a condenação.

Outro político que passa a fazer parte da lista é Evanildo Nascimento Souza, flagrado com escravos quando ainda era secretário de Meio Ambiente de Goianésia do Pará (PA). O homem que deveria zelar pela natureza foi flagrado explorando escravos justamente no corte e queima de madeira para produção de carvão. De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), foram encontrados na Fazenda RDM (onde se localiza a Carvoaria da Mata), em julho de 2009, nove trabalhadores laborando em condições degradantes no corte de madeira, transporte, empilhamento, enchimento dos fornos, vedação do forno com barro e carbonização.

Os trabalhadores não possuíam equipamentos de proteção individual (EPIs) e estavam alojados em um barraco em péssimas condições, sujo com detritos, restos de maquinário e peças de veículos, armazenamento de combustível, sem separação para homens e mulheres, nem ventilação e iluminação.

Os médicos incluídos na relação são José Palmiro Da Silva Filho, CRM 830, flagrado com cinco escravos na Fazenda São Clemente, em Cáceres (MT), e Ovídio Octávio Pamplona Lobato, CRM 3236, flagrado com 30 escravos na  Fazenda Tartarugas, em Soure (PA). O primeiro assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) acertado com o procurador do trabalho Roberto Portela Mildner, pelo qual se comprometeu a doar R$ 20 mil para o Hospital Bom Samaritano de Cáceres. Em caso de reincidência, o acordo prevê multa de R$ 10 mil por escravo encontrado.

Faça buscas na “lista suja” em português, inglês, francês e alemão.

VEREADOR DEMONSTRA ‘INTELIGÊNCIA’ AO DEFENDER O PATRÃO NA TRIBUNA

“Um prefeito que fez várias passagens de nível, viadutos, asfaltou milhares de ruas, estabeleceu uma estrutura decente para as Casinhas da Família, criou o Bolsa-Universidade, dentre outras tantas obras, esse prefeito tem que ser aprovado nas urnas como o será seguramente”. (Homero de Miranda Leão – PHS/AM)

A frase revela a inteligência e a percepção limitadíssimas do edil com relação ao mundo que o rodeia. Enquanto a Manaus de Amazonino é o oposto de uma cidade orgânica, viva, pulsante, autônoma, o vereador acredita que o trabalho do administrador público se reduz à “obrar”. Sinal inequívoco de que sua capacidade sintética de compor a realidade briga com esta última. Mas isso ele só vai descobrir em outubro, com o abrir das urnas.

SOBRE HIGIENISMOS CARIOCAS E PROSAMÍNICOS…

Do Polis + Arte

“A QUESTÃO DA HABITAÇÃO” (ENGELS, 1873)

“Na realidade, a burguesia tem apenas um método para resolver à sua maneira a questão da habitação — isto é, resolvê-la de tal forma que a solução produza a questão sempre de novo. Este método chama-se «Haussmann».
Por «Haussmann» entendo não apenas a maneira especificamente bonapartista do Haussmann parisiense de abrir ruas compridas, direitas e largas pelo meio dos apertados bairros operários e de guarnecê-las de ambos os lados com grandes edifícios de luxo, com o que se pretendia não só atingir a finalidade estratégica de dificultar a luta nas barricadas mas também formar um proletariado da construção civil especificamente bonapartista e dependente do governo e transformar a cidade numa pura cidade de luxo. Por «Haussmann» entendo também a prática generalizada de abrir brechas nos bairros operários, especialmente nos de localização central nas nossas grandes cidades, quer essa prática seja seguida por considerações de saúde pública e de embelezamento ou devido à procura de grandes áreas comerciais centralmente localizadas ou por necessidades do trânsito, tais como vias-férreas, ruas, etc. O resultado é em toda a parte o mesmo, por mais diverso que seja o pretexto: as vielas e becos mais escandalosos desaparecem ante grande autoglorificação da burguesia por esse êxito imediato mas… ressuscitam logo de novo em qualquer lugar e frequentemente na vizinhança imediata.”

A DÉCADA DE 10 DECIDIRÁ ENTRE A POLÍTICA E O FINANCISMO

Cada época tem um afeto que lhe caracteriza.
Nos anos noventa, ele foi a euforia: marca de um mundo supostamente sem fronteiras, pós-ideológico e animado pelas promessas da globalização capitalista. Na primeira década do século 21 os ataques terroristas aos EUA conseguiram transformar o medo em afeto central da vida social. O discurso político reduziu-se a pregações, cada vez mais paranoicas, sobre segurança, perda de identidade e fim necessário da solidariedade social.
No entanto, 2011 começou com uma mudança fundamental na dimensão afetiva. Pois novos laços sociais paulatinamente apareceram levando em conta a força produtiva do desencanto. Este é um dado novo. Desde o final dos anos 70, as sociedades capitalistas não tinham mais o direito de acreditar na produtividade do desencanto. Fomos ensinados a ver, no desencanto, um afeto exclusivamente ligado aos fracassados, depressivos e ressentidos; nunca aos produtores de novas formas.
Em “Suave é a Noite”, Scott Fitzgerald apresenta um de seus personagens dizendo que sua segurança intacta era a marca de sua incompletude. Tal personagem nunca sentira a quebra de suas certezas, a desarticulação de seus valores, por isto ele continuava incompleto. Ele não tinha o desencanto necessário para explorar, sem medo, a plasticidade do novo.
Os novos personagens que entraram em cena na política mundial a partir deste ano não têm esse problema. Aqueles que transformaram 2011 no ano das revoltas sabem que todo verdadeiro movimento sempre começa com a mesma frase: “Não acreditamos mais”. Não acreditamos mais em suas promessas de desenvolvimento social, de resolução de conflitos dentro dos limites da democracia parlamentar, de consumo para todos. Sempre demora para que tal frase se transforme em um: “Agora sabemos o que queremos”. Tal demora é o tempo que o desencanto exige para maturar sua produtividade. Como sempre, essa maturação chegará quando menos esperarmos.
Mas todo acontecimento vem sempre acompanhado de um contra-acontecimento. Se o grande acontecimento de 2011 foi essa nova economia afetiva no campo político, o grande contra-acontecimento ocorreu na Grécia e na Itália: a expulsão dos políticos do centro de decisão em prol de meros estafetas do sistema financeiro.
Como se, de um lado, tivéssemos em marcha a dinâmica de reconstrução do político. De outro, sua anulação completa através da falácia gerencial de empregados do Goldman Sachs travestidos de primeiros-ministros. Estas são as duas vias às quais a década que agora nasce será confrontada.

Artigo do professor Vladimir Safatle, da Filosofia da USP. Publicado hoje na Folha. Devorado do Diário Gauche.

BLOGUEIROS BRASILEIROS MORTOS OU PERSEGUIDOS EM 2011

Do catatau!, sobre blogueiros brasileiros mortos e perseguidos numa guerra silenciosa:

Volta e meia aparece mais um caso. O último foi o do blogueiro “Mosquito”, do Tijoladas. O Tijoladas está fora do ar (restou o twitter). Encontraram Mosquito morto em seu próprio apartamento por “enforcamento”, conforme mostra o importante informe de Tsavkko.

Rapidamente a polícia cogitou o suicídio. Tanta rapidez na conclusão, conforme o link acima, depõe contra a vida inteira de Mosquito, que não autorizaria de forma tão apressada essa hipótese. A família suspeita dessa versão, porque Mosquito já recebeu diversas ameaças e não raramente denunciava peixes grandes de Santa Catarina. Um dos últimos foi um caso de estupro, feito por um grande figurão ligado à Rede RBS e sistematicamente abafado.

Há pouco assassinaram também Ednaldo Filgueira, militante e blogueiro no RN. Tudo ligado à política local.

Do mesmo jeito que o blog de Esmael Moraes saiu do ar porque, conforme dizem alguns passarinhos verdes, denunciou que filhos de grandes políticos cometendo plágio em trabalhos universitários de estudantes baianos são recompensados com cargos públicos.

Ou mesmo o blog de Cassio Augusto, também censurado por querelas de política local no interior do PR. Isso para citar dois ou três casos.

Pode-se calar a voz de diversas formas. Mas no Brasil não deixa de ser alarmante o quanto várias dessas formas se empregam de fato.

Cliché? Quem acha assim, espere chegar a própria vez.

NELSON NOEL E O MAIOR PICOLÉ DO BRASIL

O maior picolé do Brasil é do Amazonas!