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TRE DO RIO DE JANEIRO FECHA “CENTROS SOCIAIS” MANTIDOS POR CANDIDATOS

Do Consultor Jurídico:

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro já interditou, na capital, 15 centros sociais vinculados a candidatos, desde o início do período eleitoral em 6 de julho. Segundo o coordenador de fiscalização do TRE na cidade, Paulo César Vieira de Carvalho Filho, os centros sociais oferecem, entre outras coisas, atendimento médico e cursos profissionalizantes de forma gratuita e associada ao nome do candidato que sustenta o local. A notícia é da Agência Brasil.

De acordo com o coordenador de fiscalização, o funcionamento de centros sociais é uma das irregularidades eleitorais mais graves. “Isso configura obviamente propaganda ilegal, abuso de poder econômico e, dependendo de alguns outros fatos, captação ilícita de sufrágio. Essa última seria a situação mais grave de todas, porque é uma compra de voto grosseira”, disse Carvalho Filho.

Segundo ele, centros sociais de candidatos comprometem até a própria legitimidade da eleição. Carvalho Filho explicou que os centros sociais fechados são todos de candidatos a deputados estaduais, dos quais a maioria é de parlamentares que buscam a reeleição.

Após o fechamento desses locais, a Procuradoria Regional Eleitoral abre uma investigação que pode levar a punições como multas, cassação do registro de candidatura e, até mesmo, a responsabilização criminal. De acordo com Carvalho Filho, em um dos centros sociais foram encontrados 50 sacos cheios de medicamentos vencidos.

Outra ilegalidade comum na campanha do Rio de Janeiro é o uso de placas de forma irregular. Apenas em duas operações nos últimos dois dias, na Avenida das Américas (Barra da Tijuca) e na comunidade da Cidade de Deus (Jacarepaguá), foi recolhida pelo menos 1,5 tonelada de placas.

Carvalho Filho disse que, até o momento, sua equipe de fiscalização não recebeu qualquer denúncia formal sobre a existência de currais eleitorais em comunidades carentes na cidade. Na última eleição, em 2008, denúncias de currais eleitorais em favelas controladas por quadrilhas de traficantes e por milícias levaram o Exército a ocupar várias comunidades do Rio.

MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL

TODO PONTO DE LUZ

CRIA UMA ZONA DE SOMBRA 

A Constituição Federal de 1988 enumera cinco princípios pelos quais administração pública deve ser orientada, alicerçando o os três poderes e preservando o cidadão comum dos abusos cometidos outrora pela ditadura militar e seus atos institucionais. Os parâmetros desde então seriam os da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

O trauma causado por vinte anos sob o regime militar deixou sequelas: o uso abusivo dos meios de comunicação, numa simulada liberdade de imprensa que, apoiado no princípio da publicidade (sob o ponto de vista deles), filma e veicula qualquer fato ocorrido na esfera pública do poder ou na esfera particular de quem exerce esse poder.

Por outro lado, a justiça, tentando equilibrar os excessos, dá o direito de resposta na mesma proporção da ofensa. Ou nos casos de vazamento de informações confidenciais, abre-se uma sindicância, uma investigação interna, que pune os responsáveis, mas não evita o uso excessivo do princípio da publicidade.

Podemos resumir esse exemplo com três verbos, da primeira, segunda e terceira conjugação: aliciar, corromper e punir.

Quando é o administrador público que comete o excesso ou fere um princípio, dependendo da gravidade, pode figurar na capa do jornal ou no rodapé da página. Então, vamos aos destaques do noticiário local:

Seconserva – O patrimônio público e a emissora de televisão

Em Fevereiro deste ano, o Rio de Janeiro ganhou uma nova secretaria, a Seconserva (Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos) que segundo o decreto publicado no Diário Oficial, se dedicará exclusivamente a cuidar da manutenção da cidade. Essa nova célula irá englobar a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), a Companhia Municipal de Energia e Iluminação (Rio Luz), a Coordenadoria Geral de Conservação (CGC) além da Comissão Coordenadora de Obras e Reparos em Vias Públicas e a Coordenadoria de Controle de Cemitérios e Serviços Funerários, que eram ligadas anteriormente à Secretaria de Municipal de Obras.

O trabalho de fiscalização na capital fluminense, passou a ser feito por 91 zeladores nas ruas das Zonas Norte e Sul a partir do dia 8 de março, comandados por de Carlos Roberto Osório, que deixou o cargo de secretário-geral do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 para assumir a nova função.

Cada zelador vai percorrer, em média, sete quilômetros por dia para anotar os problemas cotidianos como iluminação, buracos, falta de sinalização adequada e outros. Inicialmente, eles vão trabalhar usando fichas de anotação, mas em pouco tempo vão receber palmtops (computadores portáteis) para fotografar, por exemplo, postes acesos durante o dia, e imediatamente enviar o flagra para o setor competente resolver.

O programa está nos bairros da Tijuca, Maracanã, Copacabana, Leblon, Irajá, Vista Alegre, Vila da Penha, Centro, Ilha do Governador, Campo Grande, Méier, São Cristóvão, Madureira, Santa Cruz, Bangu, Botafogo, Flamengo e Laranjeiras.

Desde o começo do trabalho, em Março, abrangendo inicialmente sete bairros da cidade, 78.341 não conformidades foram identificadas. Das ações em andamento ou que já foram solucionadas pelos órgãos, 68,38% são referentes à Zona Norte, 76,21% à Zona Sul e 75,46% à Zona Oeste.

Vemos então o princípio da eficiência, o da publicidade e da moralidade sendo cumpridos, já que a proporção percentual é a mesma para as três regiões da cidade. Porém, o papel da imprensa foi fundamental para a criação da nova pasta. Emissoras pequenas como a Bandeirantes, o SBT e a CNT há anos denunciavam a falta de conservação do patrimônio público, as obras inacabadas, a falta de sinalização e os buracos em via pública.

Ao contrário do que se poderia pensar, conforme indica pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha, apenas 35% dos cariocas aprovam com ótimo ou bom a atuação de Paes. Enquanto 41% dizem ser regular e 21% disseram ser ruim ou péssimo.

Neste caso, cabe a pergunta: porque o prefeito decidiu criar essa sinergia ao contrário das antigas lideranças? Porque a Globo passou a usar o horário do jornal do meio-dia para fazer as mesmas denuncias que as outras emissoras e com isso, tentar recuperar a audiência perdida para a Record que vinha ganhando destaque por abrir espaço por explorar esse nicho de forma exaustiva. Isso nos leva a crer que o conforto e a segurança da população é uma mera consequência e não o objetivo dessa administração. Diriam alguns que o prefeito empossado em janeiro de 2009 teve pouco tempo para organizar uma equipe e dela extrair resultados, mas atentos aos noticiários, podemos citar outro caso onde a administração pública foi bastante eficaz embora dessa vez o conforto proporcionado só tenha beneficiado a própria prefeitura.

Cosip – Todo teatro tem uma coxia

No mesmo mês de Fevereiro, entre as comemorações do carnaval e a lista de material escolar, outro decreto foi publicado e dessa vez para regulamentar a nova taxa de iluminação pública com a finalidade de financiar a manutenção e ampliação da iluminação pública. A prefeitura do Rio espera arrecadar com a cobrança mais de R$ 150 milhões por ano.

O decreto só foi publicado no dia 26 de fevereiro, uma sexta-feira. Em 1º de março, segunda-feira, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Promotor de Justiça Rodrigo Terra, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Direito do Consumidor e do Contribuinte da Capital, ajuizou na 3ª Vara Empresarial, ação civil pública com pedido de liminar conta a Light Serviços de Eletricidade S.A. O objetivo era impedir que a Contribuição Social de Iluminação Pública (COSIP) fosse cobrada na conta de luz dos moradores do Município do Rio.

Orla de Copacabana as escuras

Em dois parágrafos, rasgamos a Constituição Federal, vejam porque: o princípio da publicidade dias depois do carnaval não é razoável, a moralidade de se cobrar tanto pela iluminação pública que sempre esteve prevista no orçamento sem contar a eficiência que como veremos abaixo, é nula. Por último, a impessoalidade que é um princípio que diz que o benefício dos atos dos governantes deve ser partilhado por todos e não por ele e pelo grupo que ele determinar. Dito isso, segue-se em leitura.

A cobrança da COSIP, argumenta o MP, fere o direito dos consumidores de poderem contestar o valor da medição. “Caso o cidadão questione o valor de sua conta de luz, não poderá deixar de pagá-la sem que incorra no crime de sonegação fiscal, (com pena de 2 a cinco anos de prisão acrescido de multa) uma vez que, concomitantemente, deixará de pagar o tributo cobrado”, explicou Rodrigo Terra. Além disso, ele afirmou, a cobrança é inconstitucional porque condiciona o pagamento de um tributo ao fornecimento de um serviço.

O Promotor também questiona a Emenda Constitucional nº 39, de 19 de dezembro de 2002, que autorizou os Municípios e o Distrito Federal a cobrarem a Contribuição na fatura, mediante acordo com as concessionárias de energia elétrica. “A Emenda vai de encontro ao direito constitucional de exercício de ação e ainda precisa de uma manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre sua aplicabilidade”, comentou.

Apesar de em Dezembro ter sido dado aos Municípios o direito de cobrar a Cossip, e muitos deles o fizeram, o Rio de Janeiro esqueceu-se da moralidade, apoiando-se apenas no princípio da legalidade, e segundo reportagem transcrita do jornal carioca O Dia, do dia 03 de Março de 2010, passou a cobrar a segunda maior taxa de iluminação do país.

Rio – A taxa de iluminação pública que o carioca começará a pagar em maio é uma das mais altas do País. Entre as 10 maiores capitais do Brasil, apenas Salvador pratica tarifas maiores do que as do Rio. Enquanto aqui a prefeitura estipulou em R$ 90 o valor mais alto para quem consome acima de 10 mil kw/h por mês, em cidades como São Paulo e Porto Alegre a taxa mais cara não chega a R$ 12, para comerciantes.

Ainda segundo a reportagem, a ação irritou o prefeito Eduardo Paes: “Se o promotor tivesse entrado com ação contra todos os municípios que cobram a taxa no estado, eu acreditaria na seriedade do promotor. Como ele entrou só contra o Rio, eu duvido da seriedade dele”. Terra rebateu: “O promotor da capital não tem poder de questionar a taxa de outros municípios. Mas meus colegas em outras cidades estão questionando-a”.

O prefeito perdeu a chance de ficar calado. Além de não respeitar a Constituição, ainda demonstra publicamente desconhecer as leis que regem o município e a atuação dele próprio e da justiça na defesa do interesse coletivo. E ainda vai ficar pior, acompanhe o raciocínio.

Mesmo com a intervenção do MP, a manchete que apareceu nos jornais cariocas em Julho era desoladora “Justiça derruba Cosip, mas taxa ainda vale”- Jornal Destak. Isso aconteceu porque a justiça entendeu que o princípio da publicidade não havia sido respeitado pela Câmara Municipal ao criar a taxa de luz em duas sessões nulas, no entanto o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Zveiter, entrou com um recurso. E a Cosip permanecerá valendo até que receba sentença definitiva do STJ (Superior Tribunal de Justiça) o que deve levar pelo menos 3 anos.

O que permitirá que o prefeito atual cobre, receba e gaste todo o dinheiro arrecadado com a taxa de iluminação pública e deixe a sentença para ser cumprida pelo próximo a ocupar o cargo. Segundo as previsões, todo dinheiro arrecadado, no caso de uma condenação, terá que ser devolvido corrigido monetariamente e acrescido de juros, ou seja, até lá a dívida terá dobrado. Essa bomba irá estourar em 2013, um ano antes da Copa do Mundo.

O Assunto chegou no Twitter, que por meio da conta @cosip_ não nos mantém informados das notícias que comentam o assunto e amplifica a opinião dos descontentes, repassando para toda lista de seguidores qualquer manifestação contrária a essa taxa. Continuem por lá essa leitura crítica do noticiário local.

Mas antes, veja quem foram os vereadores que ajudaram a aprovar a Cossip.

MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL: “Favela 2.0”

FAVELA 2.0

Quem não vive dentro de uma favela, só pode imaginar as coisas que acontecem ali dentro. De fora, quem olha consegue ver a casa com tijolo exposto, em lugares mais pobres, o barraco de madeira, e o grito das armas de foto que urram feito leões na floresta, causando espanto nos passarinhos.

Quem se atreve a olhar uma favela por dentro, se surpreende com as milhares de vozes que ali ecoam. A internet é uma ferramenta fundamental para mudar a cara que a favela tem no imaginário popular. Nessa floresta urbana, não existe Saci Pererê e nem Mula Sem Cabeça. São pessoas como eu e você.

Essas pessoas encontraram no funk uma maneira de se comunicar com o asfalto. Já que o contato físico não passa de um “bom dia”, as vezes nem isso, a música passou a mediar esse contato. Ela conta para os de fora o que acontece lá dentro.

Muito além de Cachorras e Tigrões que tocam por aí, existe uma organização sintática, que ainda precisa ter eco, mas que nunca foi tão bem aceita por que não é tão cínica como as bundas cantoras.

Jesus disse “se alguém bater em um lado de tua face, ofereça o outro”; pois bem, essa é a outra face do Funk.

DPQ entrevista MCs Junior e Leonardo – APAFunk 2008

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MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL: “Faixa de Gaza Carioca”.

FAIXA DE GAZA CARIOCA

Há, no Rio de Janeiro, um conjunto de 12 favelas chamado Complexo do Alemão, onde vivem 97 mil famílias, segundo o último levantamento do IBGE. O bairro, que fica na Zona Norte da cidade e hoje é conhecido como “Faixa de Gaza”, foi construído sobre a serra da Misericórdia. Uma região rica em nascentes no começo do século XX, teve quase toda área verde desmatada para a construção de mais de 18.000 moradias e exploração do solo por mineradoras. O que tornou a maior parte dos cursos d’água em córregos de esgoto.

Foi neste local que, em 1952, que nasceu o cantor Elymar Santos, famoso nas churrascarias do Rio, onde começou sua carreira. Aos 33 anos, decidido a virar o jogo, vendeu tudo que possuía e com o dinheiro arrecadado, alugou a maior casa de shows do Rio de Janeiro.

A casa de Shows Canecão, localizada na Rua Venceslau Brás, em Botafogo, na Zona Sul da cidade, foi inaugurada em Junho de 1967. Projetada pelo arquiteto José Vasquez Ponte para abrigar uma grande cervejaria com um palco auxiliar, acabou se tornando o maior palco de espetáculos do Rio com um bar auxiliar.

Entre as atrações nacionais que por ali passaram, destacam-se Maysa, Elis Regina, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Clara Nunes e Elizeth Cardoso e entre os estrangeiros, podemos citar Stratovarius e Nightwish apenas para não alongar muito a lista.

Diz o site do Canecão:

“Com a vinda do Moulin Rouge para o Rio em 1972, por nossa iniciativa, outra grande modificação. Para receber um elenco numeroso, que contava, além de bailarinos, cantores e atrações circenses, até mesmo com um leão e 10 galgos, foram construídos camarins apropriados, coxias, novos recursos mecanizados para os cenários e ainda uma piscina de acrílico transparente com capacidade para 72 metros cúbicos de água!”

Foi em 1992 que o imóvel teria sido cedido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, à empresa Canecão – Promoções e Espetáculos Teatrais S/A, por um prazo de cinco anos, mediante pagamento de aluguel com reajuste semestral.

O contrato de cessão expirou em janeiro de 1997 e a empresa foi notificada para desocupar o imóvel até 28 de outubro de 1999, o que não ocorreu. Segundo a decisão judicial de maio do ano passado pela reintegração de posse, o valor da indenização é de R$ 4 milhões.

Em Fevereiro de 2007, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra os sócios Mario Hamilton Priolli e Manoel Ronald Priolli do Rego Valença, responsáveis pela administração do Canecão por fraude previdenciária, falsidade ideológica e estelionato.

A primeira acusação é de que a casa de espetáculos deixou de entregar à União contribuições previdenciárias recolhidas dos funcionários por 22 vezes, totalizando R$ 226 mil. Essa denúncia foi apresentada pelo procurador da República José Maria Panoeiro à 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

“Os denunciados deixaram de recolher valores que eram descontados dos contribuintes. Parcelaram o débito e, com isso, não foram processados antes. Agora, eles pararam de pagar o parcelamento e, por isso, estão denunciados”, afirma o procurador da República José Maria Panoeiro.

Para garantir o patrocínio da Petrobras, o empresário utilizou-se da empresa Canecão Promoção de Eventos Ltda, criada em 1997, em lugar da Canecão Promoções e Espetáculos Teatrais S/A, verdadeira razão social da casa de espetáculos com cerca de 40 anos.

Segundo a denúncia, ao usar outra pessoa jurídica, o empresário teve aprovado o projeto Canecão Petrobras junto ao Ministério da Cultura, valendo-se dos incentivos fiscais da Lei Rouanet e ocultando os débitos da Canecão Promoções e Espetáculos Teatrais S/A com o INSS, o que impediria que a casa de espetáculos celebrasse o contrato.

25/02/2008 – Procurada pelo O GLOBO ONLINE, a Petrobras afirmou que vai acatar a decisão do Ministério Público. A empresa recebeu uma notificação que a proíbe de repassar recursos do patrocínio para a casa de shows. O contrato fechado em 2007 prevê R$ 7,5 milhões ao ano até 2009. No ano passado, a estatal repassou 70% do total previsto. Em 2008 ainda não houve repasse. A assessoria de imprensa da Petrobras não informou o valor dessas parcelas, nem a periodicidade delas. A empresa reitera que o repasse está suspenso até que o litígio seja totalmente solucionado, seguindo a orientação do Ministério Público.

Outro processo em curso na Justiça é movido pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), sociedade civil privada que centraliza toda arrecadação e distribuição dos direitos autorais de execução pública de música no Brasil. Segundo a entidade, o Canecão acumula uma dívida de 5,8 milhões de reais em direitos não pagos. Matéria completa no site da revista Carta Capital.

Parece então que o Rio de Janeiro está preocupado com a Faixa de Gaza errada. Enquanto a primeira é feita de muito barulho e fumaça, a segunda é silenciosa, porém muito mais perigosa que àquela dos conflitos ente israelenses e palestinos. Se bem que guardam semelhanças, as duas áreas de conflito.

O Canecão foi lacrado no dia 10 de maio por um oficial de justiça acompanhado por agentes da Polícia Federal, devolvendo à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a posse do terreno de 36 mil metros quadrados por decisão do juiz Fábio César Oliveira, da 3ª Vara Federal do Rio. Mas os advogados do Canecão já informaram que vão recorrer da decisão.

“O Canecão não será desativado, apenas mudará de gestão, segundo afirmou o prefeito da Cidade Universitária, Hélio de Matos.” Jornal O Globo

O reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, informou que será feita uma reunião com artistas para a elaboração de um projeto para o local e afirmou que todos os shows marcados estão cancelados.

MPF/RJ DENUNCIA PRESIDENTE DA VILA ISABEL E MAIS 42 EM OPERAÇÃO

Jornal O Dia/RJ;

Rio – O Ministério Público Federal (MPF) em Niterói, Região Metropolitana do Rio, denunciou à Justiça Federal 44 integrantes de uma quadrilha de exploração do jogo ilegal no Estado do Rio. Os denunciados – entre eles o presidente da escola de samba Vila Isabel, Wilson Vieira Alves (o Moisés) – eram investigados há mais de um ano pelo MPF e pela Polícia Federal, que no último dia 13 deflagraram a Operação Alvará para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo.

O MPF protocolou na 4ª Vara Federal de Niterói duas denúncias. O processo penal começa assim que a Justiça acolher as denúncias, de autoria dos procuradores da República Leonardo Luiz de Figueiredo Costa, José Maurício Gonçalves e José Augusto Simões Vagos. A 4ª Vara Federal de Niterói decretou segredo de justiça sobre as denúncias. Uma delas, já recebida, foi proposta contra seis pessoas; na outra, foram acusadas nesta quinta-feira mais 38 pessoas.

Os denunciados são acusados pelos crimes de formação de quadrilha armada, contrabando, corrupção ativa, corrupção passiva, facilitação ao contrabando e posse de armas de fogo, inclusive de uso restrito.  Wilson Vieira Alves responde pelos crimes de quadrilha armada, vários crimes de contrabando e seis crimes de corrupção ativa. Entre os denunciados, estão sete policiais militares, três ex-policiais militares e um policial civil. Dos acusados nesses processos, 21 estão presos por decisão judicial e oito estão foragidos.

"O trabalho coordenado da Polícia Federal e do Ministério Público Federal mostra que é possível a repressão planejada dos crimes, com o uso dos serviços de inteligência do Estado para a investigação criminal. Esperamos que os Poderes Públicos, em todas as suas esferas, continuem a repressão dos crimes relacionados com a exploração ilegal das máquinas caça-níqueis e de todo o aparato de corrupção que cerca essa atividade. Neste caso, com os vários elementos obtidos com as buscas e apreensões, determinaremos que a Polícia Federal instaure outros inquéritos policiais para apurar os demais crimes relacionados com o caso e angariar provas quanto aos demais integrantes da quadrilha, que ainda não foram totalmente identificados", afirma o procurador da República Leonardo Costa.

Operação Alvará foi realizada no Rio, Niterói e São Gonçalo

O presidente da escola de samba Unidos Vila Isabel, Wilson Vieira Alves, conhecido como Moisés, foi preso na manhã do dia 14 de abril em sua casa, em Copacabana, na Zona Sul, durante a operação da Polícia Federal batizada de Alvará.

A Polícia Federal foi às ruas para cumprir 29 mandados em vários bairros do Rio, Niterói e São Gonçalo. Outros 42 mandados de busca e apreensão também estão sendo cumpridos. A operação foi deflagrada com o objetivo de reprimir as atividades da chamada máfia dos caça-níqueis. Oito policiais militares e um inspetor da Polícia Civil já foram presos.

A operação é uma resposta à guerra do jogo do bicho, que teve seu ápice semana passada com o atentado contra o bicheiro Rogério de Andrade. Os federais iniciaram a ação por volta das 5h, com a colaboração de agentes da Corregedoria Geral Unificada (CGU), da Secretaria de Segurança, divididos em 40 equipes num total de cerca de 230 policiais.

Com estilo controverso, Moisés levou a Vila Isabel ao título

Militar reformado, Moisés chegou à Vila Isabel em meados de 2004 por intermédio do ex-presidente da Liesa Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, e logo assumiu o cargo de superintendente da agremiação. Em seguida, apoiado pelo então presidente Evandro Luis do Nascimento, disputou a eleição presidencial e venceu.

Sem perder tempo, surpreendeu ao contratar o carnavalesco Joãosinho Trinta para fazer o desfile de 2005, quando a Vila acabaria em 10º lugar. Em 2006, Moisés levou a agremiação ao título com um enredo patrocinado pelo governo da Venezuela que falava sobre a cultura e a política dos países da América andina.

Ao vencer o campeonato, a Vila se transformou em uma potência do Carnaval deixando para trás os tempos em que lutava para não ser rebaixada. Apesar de ter pouquíssimo tempo no samba, Moisés passou a ser considerado um dos presidentes com mais prestígio na Liesa.

Bastante vaidoso, é dono de uma personalidade controversa. Se for um lado conseguiu fazer amizades com artistas e políticos, por outro fez inimigos no Carnaval. O principal deles é o presidente da Viradouro, Marco Lira, que disputaria negócios com Moisés na região de Niterói. 

MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL: “Estado de Ausência”

ESTADO DE AUSÊNCIA

A coluna da semana passada acabou não saindo porque haviam muitas notícias saindo nos telejornais e ficou difícil pescar uma que fosse mais relevante para comentar. Também não quero seguir o roteiro à risca dos assuntos que a grande mídia oferece. Os blogs são uma alternativa e devemos nos comportar como tal.
O caso da família de bicheiros do Rio ainda não foi solucionado. Ao contrário, a poeira levantada causou uma troca de acusações entre a polícia civil e a federal na disputa da maior incompetência para o combate do crime organizado.

Enquanto isso, picharam o cristo e escreveram "onde está a engenheira Patrícia?" e "Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa". Embora a segunda frase só tenha sido divulgada quando os autores se entregaram à polícia, o prefeito do Rio acabou chamando a imprensa pra mostrar como é duro o trabalho de apagar, segundo ele, a sujeira pintada nas paredes. Os dois rapazes que participaram do ato simbólico, ao invés de subirem ao cristo, foram limpar as paredes de um túnel.

O engraçado nessa história toda é que olhando para a cara deles, dava pra ver que haviam caído de para-quedas e talvez nem soubessem como manipular uma lata de spray. Quanto mais conhecer a engenheira Patrícia.

E ainda teve o incêndio no camelódromo atrás da Central do Brasil. Que foi semelhante a outro ocorrido em 2000, no mercado popular de Madureira, reconstruído logo em seguida com cara de shopping, escada rolante e, este ano, com um sistema de drenagem da água da chuva que é reutilizada nos banheiros. Dessa forma o Mercadão de Madureira recebeu o Prêmio Mérito Ambiental 2009, concedido pelo Forte de Copacabana e Museu Histórico do Exercito.

Mas a notícia que mais impressionou foi a da inauguração da Biblioteca-Parque, em Manguinhos. Um projeto que foi implantado na Colômbia e no Chile com êxito na promoção da cidadania em bolsões de pobreza, já que o empreendimento conta com salas de vídeo, teatro, espaço para exposições e até uma lan house gratuita.

Como era muito vaga a informação e menos ainda existiam fotos do prédio, recorri ao canal de vídeos da Google para talvez achar uma gravação de celular de algum dos participantes, que saíram em duas vans para prestigiar o evento. E o que eu encontrei foi meia hora de uma apresentação do histórico desse conjunto de favelas denominado Complexo de Manguinhos. Nesses três vídeos, existe a crítica ao projeto implantado ali sem diálogo com as comunidades residentes. E o resultado ficou tão bom, que farei silêncio agora para que você possa assistir.

Apresentação Histórico de Manguinhos – parte 1/3

Apresentação Histórico de Manguinhos – parte 2/3

Apresentação Histórico de Manguinhos – parte 3/3

MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL: “O Sincretismo de Jorge”

 

O SINCRETISMO DE JORGE

A cidade do Rio foi escolhida o melhor destino gay do mundo em 2009. Concorreu com outras cinco cidades: Buenos Aires, Barcelona, Londres, Montreal e Sydney, num concurso promovido pela MTV, através do site TripOutGayTravel.com

É uma cidade abençoada pelo Cristo Redentor, eleito em 2007 uma das sete maravilhas do Mundo. Apadrinhada por São Sebastião, que ganhou até uma catedral em forma de cone em sua homenagem. Contudo, um soldado semelhante a Dom Quixote, que lutava contra o Dragão da Maldade, foi quem conquistou o amor, o respeito e a devoção dos cariocas.

Foi vestido com as roupas e as armas de Jorge que Jean Willis ganhou a quinta edição do Big Brother Brasil. Mas ele não era candomblecista? Era não, continua a ser. Acho até que depois da vitória ele deve ter até levado um “agrado” para Ogum, que é como chamam o santo guerreiro na mitologia Yorubá.

Garanto a vocês que o santo, sendo ele morador da lua, sabe da nossa pouca compreensão acerca dos assuntos do céu. Desse modo, perdoa que prestem culto a ele na capela do Centro do Rio, quando a Igreja de São Jorge fica em Quintino de Bocaiúva, subúrbio do Rio. Um local às vezes pequeno para a quantidade de devotos. Por isso mesmo, o Padre Marcelino reza a missa na quadra do Império Serrano. Ou seja, no terreiro do samba.

A ele pedem proteção e força os traficantes, milicianos e gerentes do jogo do bicho; os policiais e os repórteres, os sambistas… É tanta fé que chega a fazer fila na banca de camiseta na porta da Igreja.

Sua oração prega a não-violência como arma; segundo ela, nem em pensamento poderão me fazer mal. Imagino que seja por isso que horas de tiroteio entre a polícia e os bandidos terminem sem nenhum morto de ambos os lados. No fim, era só barulho e fumaça sob o manto vermelho do cavaleiro romano. Se bem que em Roma, a proteção era dada por Marte, deus da guerra sangrenta e símbolo do masculino.

O site Coisas de Jorge é o resultado da união de quatro artistas: Jorge Aragão, Jorge Vercillo, Jorge Mautner e Jorge Bem Jor, num show feito nas areias de Copacabana em 2007. Nele, além de fotos e vídeos, você encontra a oração de São Jorge e a história dele antes de se mudar pra Lua. Abaixo, Hermeto Pascoal homenageia São Jorge.

Para as homenagens, que começam cedo, com uma saraivada de fogos às cinco da manhã, chamada de Alvorada, o deputado Jorge Babu (PT) criou a lei nº 5.198, que institui o dia 23 de Abril como feriado estadual, e outra anterior a essa, criando o feriado municipal. Garantida a folga, vamos só de festejos, missa e a procissão, que esse ano deve reunir mais de 50 mil pessoas pelas ruas de Quintino. Quem não estiver de uniforme branco e vermelho, cores do santo, pode comprar uma peça de roupa para prestar sua homenagem.

Jornal o Dia – Pela primeira vez, as festas do Centro e de Quintino terão o apoio da prefeitura, e serão prestigiadas pelo arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. O secretário especial da Ordem Pública, Alex Costa, esteve ontem na Igreja de Quintino dando início à operação Choque de Ordem na Festa de Jorge, que só termina às 5h de amanhã. Para impedir a farra de barraqueiros, o município cadastrou 60 ambulantes para Quintino e 29 para o Centro. Todos terão barracas vermelhas e poderão vender alimentos, bebidas, flores e artigos religiosos.

Na minha memória afetiva existe uma tia, cabelos brancos, irmã da minha avó, colocando cascas de ovo nas pontas das Espadas de São Jorge. Era uma mania, pensava, pequeno que eu era. Mas a dona Lindalva sabia das coisas: dizia apenas que era uma simpatia e mudava de assunto. Nunca soube o real motivo, mas desconfio que era para afastar as suas crises de Bronquite.

Lança de São Jorge (à esquerda), e Espada de São Jorge.