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MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL: “Faixa de Gaza Carioca”.

FAIXA DE GAZA CARIOCA

Há, no Rio de Janeiro, um conjunto de 12 favelas chamado Complexo do Alemão, onde vivem 97 mil famílias, segundo o último levantamento do IBGE. O bairro, que fica na Zona Norte da cidade e hoje é conhecido como “Faixa de Gaza”, foi construído sobre a serra da Misericórdia. Uma região rica em nascentes no começo do século XX, teve quase toda área verde desmatada para a construção de mais de 18.000 moradias e exploração do solo por mineradoras. O que tornou a maior parte dos cursos d’água em córregos de esgoto.

Foi neste local que, em 1952, que nasceu o cantor Elymar Santos, famoso nas churrascarias do Rio, onde começou sua carreira. Aos 33 anos, decidido a virar o jogo, vendeu tudo que possuía e com o dinheiro arrecadado, alugou a maior casa de shows do Rio de Janeiro.

A casa de Shows Canecão, localizada na Rua Venceslau Brás, em Botafogo, na Zona Sul da cidade, foi inaugurada em Junho de 1967. Projetada pelo arquiteto José Vasquez Ponte para abrigar uma grande cervejaria com um palco auxiliar, acabou se tornando o maior palco de espetáculos do Rio com um bar auxiliar.

Entre as atrações nacionais que por ali passaram, destacam-se Maysa, Elis Regina, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Clara Nunes e Elizeth Cardoso e entre os estrangeiros, podemos citar Stratovarius e Nightwish apenas para não alongar muito a lista.

Diz o site do Canecão:

“Com a vinda do Moulin Rouge para o Rio em 1972, por nossa iniciativa, outra grande modificação. Para receber um elenco numeroso, que contava, além de bailarinos, cantores e atrações circenses, até mesmo com um leão e 10 galgos, foram construídos camarins apropriados, coxias, novos recursos mecanizados para os cenários e ainda uma piscina de acrílico transparente com capacidade para 72 metros cúbicos de água!”

Foi em 1992 que o imóvel teria sido cedido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, à empresa Canecão – Promoções e Espetáculos Teatrais S/A, por um prazo de cinco anos, mediante pagamento de aluguel com reajuste semestral.

O contrato de cessão expirou em janeiro de 1997 e a empresa foi notificada para desocupar o imóvel até 28 de outubro de 1999, o que não ocorreu. Segundo a decisão judicial de maio do ano passado pela reintegração de posse, o valor da indenização é de R$ 4 milhões.

Em Fevereiro de 2007, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra os sócios Mario Hamilton Priolli e Manoel Ronald Priolli do Rego Valença, responsáveis pela administração do Canecão por fraude previdenciária, falsidade ideológica e estelionato.

A primeira acusação é de que a casa de espetáculos deixou de entregar à União contribuições previdenciárias recolhidas dos funcionários por 22 vezes, totalizando R$ 226 mil. Essa denúncia foi apresentada pelo procurador da República José Maria Panoeiro à 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

“Os denunciados deixaram de recolher valores que eram descontados dos contribuintes. Parcelaram o débito e, com isso, não foram processados antes. Agora, eles pararam de pagar o parcelamento e, por isso, estão denunciados”, afirma o procurador da República José Maria Panoeiro.

Para garantir o patrocínio da Petrobras, o empresário utilizou-se da empresa Canecão Promoção de Eventos Ltda, criada em 1997, em lugar da Canecão Promoções e Espetáculos Teatrais S/A, verdadeira razão social da casa de espetáculos com cerca de 40 anos.

Segundo a denúncia, ao usar outra pessoa jurídica, o empresário teve aprovado o projeto Canecão Petrobras junto ao Ministério da Cultura, valendo-se dos incentivos fiscais da Lei Rouanet e ocultando os débitos da Canecão Promoções e Espetáculos Teatrais S/A com o INSS, o que impediria que a casa de espetáculos celebrasse o contrato.

25/02/2008 – Procurada pelo O GLOBO ONLINE, a Petrobras afirmou que vai acatar a decisão do Ministério Público. A empresa recebeu uma notificação que a proíbe de repassar recursos do patrocínio para a casa de shows. O contrato fechado em 2007 prevê R$ 7,5 milhões ao ano até 2009. No ano passado, a estatal repassou 70% do total previsto. Em 2008 ainda não houve repasse. A assessoria de imprensa da Petrobras não informou o valor dessas parcelas, nem a periodicidade delas. A empresa reitera que o repasse está suspenso até que o litígio seja totalmente solucionado, seguindo a orientação do Ministério Público.

Outro processo em curso na Justiça é movido pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), sociedade civil privada que centraliza toda arrecadação e distribuição dos direitos autorais de execução pública de música no Brasil. Segundo a entidade, o Canecão acumula uma dívida de 5,8 milhões de reais em direitos não pagos. Matéria completa no site da revista Carta Capital.

Parece então que o Rio de Janeiro está preocupado com a Faixa de Gaza errada. Enquanto a primeira é feita de muito barulho e fumaça, a segunda é silenciosa, porém muito mais perigosa que àquela dos conflitos ente israelenses e palestinos. Se bem que guardam semelhanças, as duas áreas de conflito.

O Canecão foi lacrado no dia 10 de maio por um oficial de justiça acompanhado por agentes da Polícia Federal, devolvendo à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a posse do terreno de 36 mil metros quadrados por decisão do juiz Fábio César Oliveira, da 3ª Vara Federal do Rio. Mas os advogados do Canecão já informaram que vão recorrer da decisão.

“O Canecão não será desativado, apenas mudará de gestão, segundo afirmou o prefeito da Cidade Universitária, Hélio de Matos.” Jornal O Globo

O reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, informou que será feita uma reunião com artistas para a elaboração de um projeto para o local e afirmou que todos os shows marcados estão cancelados.

MPF/RJ DENUNCIA PRESIDENTE DA VILA ISABEL E MAIS 42 EM OPERAÇÃO

Jornal O Dia/RJ;

Rio – O Ministério Público Federal (MPF) em Niterói, Região Metropolitana do Rio, denunciou à Justiça Federal 44 integrantes de uma quadrilha de exploração do jogo ilegal no Estado do Rio. Os denunciados – entre eles o presidente da escola de samba Vila Isabel, Wilson Vieira Alves (o Moisés) – eram investigados há mais de um ano pelo MPF e pela Polícia Federal, que no último dia 13 deflagraram a Operação Alvará para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo.

O MPF protocolou na 4ª Vara Federal de Niterói duas denúncias. O processo penal começa assim que a Justiça acolher as denúncias, de autoria dos procuradores da República Leonardo Luiz de Figueiredo Costa, José Maurício Gonçalves e José Augusto Simões Vagos. A 4ª Vara Federal de Niterói decretou segredo de justiça sobre as denúncias. Uma delas, já recebida, foi proposta contra seis pessoas; na outra, foram acusadas nesta quinta-feira mais 38 pessoas.

Os denunciados são acusados pelos crimes de formação de quadrilha armada, contrabando, corrupção ativa, corrupção passiva, facilitação ao contrabando e posse de armas de fogo, inclusive de uso restrito.  Wilson Vieira Alves responde pelos crimes de quadrilha armada, vários crimes de contrabando e seis crimes de corrupção ativa. Entre os denunciados, estão sete policiais militares, três ex-policiais militares e um policial civil. Dos acusados nesses processos, 21 estão presos por decisão judicial e oito estão foragidos.

"O trabalho coordenado da Polícia Federal e do Ministério Público Federal mostra que é possível a repressão planejada dos crimes, com o uso dos serviços de inteligência do Estado para a investigação criminal. Esperamos que os Poderes Públicos, em todas as suas esferas, continuem a repressão dos crimes relacionados com a exploração ilegal das máquinas caça-níqueis e de todo o aparato de corrupção que cerca essa atividade. Neste caso, com os vários elementos obtidos com as buscas e apreensões, determinaremos que a Polícia Federal instaure outros inquéritos policiais para apurar os demais crimes relacionados com o caso e angariar provas quanto aos demais integrantes da quadrilha, que ainda não foram totalmente identificados", afirma o procurador da República Leonardo Costa.

Operação Alvará foi realizada no Rio, Niterói e São Gonçalo

O presidente da escola de samba Unidos Vila Isabel, Wilson Vieira Alves, conhecido como Moisés, foi preso na manhã do dia 14 de abril em sua casa, em Copacabana, na Zona Sul, durante a operação da Polícia Federal batizada de Alvará.

A Polícia Federal foi às ruas para cumprir 29 mandados em vários bairros do Rio, Niterói e São Gonçalo. Outros 42 mandados de busca e apreensão também estão sendo cumpridos. A operação foi deflagrada com o objetivo de reprimir as atividades da chamada máfia dos caça-níqueis. Oito policiais militares e um inspetor da Polícia Civil já foram presos.

A operação é uma resposta à guerra do jogo do bicho, que teve seu ápice semana passada com o atentado contra o bicheiro Rogério de Andrade. Os federais iniciaram a ação por volta das 5h, com a colaboração de agentes da Corregedoria Geral Unificada (CGU), da Secretaria de Segurança, divididos em 40 equipes num total de cerca de 230 policiais.

Com estilo controverso, Moisés levou a Vila Isabel ao título

Militar reformado, Moisés chegou à Vila Isabel em meados de 2004 por intermédio do ex-presidente da Liesa Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, e logo assumiu o cargo de superintendente da agremiação. Em seguida, apoiado pelo então presidente Evandro Luis do Nascimento, disputou a eleição presidencial e venceu.

Sem perder tempo, surpreendeu ao contratar o carnavalesco Joãosinho Trinta para fazer o desfile de 2005, quando a Vila acabaria em 10º lugar. Em 2006, Moisés levou a agremiação ao título com um enredo patrocinado pelo governo da Venezuela que falava sobre a cultura e a política dos países da América andina.

Ao vencer o campeonato, a Vila se transformou em uma potência do Carnaval deixando para trás os tempos em que lutava para não ser rebaixada. Apesar de ter pouquíssimo tempo no samba, Moisés passou a ser considerado um dos presidentes com mais prestígio na Liesa.

Bastante vaidoso, é dono de uma personalidade controversa. Se for um lado conseguiu fazer amizades com artistas e políticos, por outro fez inimigos no Carnaval. O principal deles é o presidente da Viradouro, Marco Lira, que disputaria negócios com Moisés na região de Niterói. 

MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL: “Estado de Ausência”

ESTADO DE AUSÊNCIA

A coluna da semana passada acabou não saindo porque haviam muitas notícias saindo nos telejornais e ficou difícil pescar uma que fosse mais relevante para comentar. Também não quero seguir o roteiro à risca dos assuntos que a grande mídia oferece. Os blogs são uma alternativa e devemos nos comportar como tal.
O caso da família de bicheiros do Rio ainda não foi solucionado. Ao contrário, a poeira levantada causou uma troca de acusações entre a polícia civil e a federal na disputa da maior incompetência para o combate do crime organizado.

Enquanto isso, picharam o cristo e escreveram "onde está a engenheira Patrícia?" e "Quando os gatos saem, os ratos fazem a festa". Embora a segunda frase só tenha sido divulgada quando os autores se entregaram à polícia, o prefeito do Rio acabou chamando a imprensa pra mostrar como é duro o trabalho de apagar, segundo ele, a sujeira pintada nas paredes. Os dois rapazes que participaram do ato simbólico, ao invés de subirem ao cristo, foram limpar as paredes de um túnel.

O engraçado nessa história toda é que olhando para a cara deles, dava pra ver que haviam caído de para-quedas e talvez nem soubessem como manipular uma lata de spray. Quanto mais conhecer a engenheira Patrícia.

E ainda teve o incêndio no camelódromo atrás da Central do Brasil. Que foi semelhante a outro ocorrido em 2000, no mercado popular de Madureira, reconstruído logo em seguida com cara de shopping, escada rolante e, este ano, com um sistema de drenagem da água da chuva que é reutilizada nos banheiros. Dessa forma o Mercadão de Madureira recebeu o Prêmio Mérito Ambiental 2009, concedido pelo Forte de Copacabana e Museu Histórico do Exercito.

Mas a notícia que mais impressionou foi a da inauguração da Biblioteca-Parque, em Manguinhos. Um projeto que foi implantado na Colômbia e no Chile com êxito na promoção da cidadania em bolsões de pobreza, já que o empreendimento conta com salas de vídeo, teatro, espaço para exposições e até uma lan house gratuita.

Como era muito vaga a informação e menos ainda existiam fotos do prédio, recorri ao canal de vídeos da Google para talvez achar uma gravação de celular de algum dos participantes, que saíram em duas vans para prestigiar o evento. E o que eu encontrei foi meia hora de uma apresentação do histórico desse conjunto de favelas denominado Complexo de Manguinhos. Nesses três vídeos, existe a crítica ao projeto implantado ali sem diálogo com as comunidades residentes. E o resultado ficou tão bom, que farei silêncio agora para que você possa assistir.

Apresentação Histórico de Manguinhos – parte 1/3

Apresentação Histórico de Manguinhos – parte 2/3

Apresentação Histórico de Manguinhos – parte 3/3

MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL: “O Sincretismo de Jorge”

 

O SINCRETISMO DE JORGE

A cidade do Rio foi escolhida o melhor destino gay do mundo em 2009. Concorreu com outras cinco cidades: Buenos Aires, Barcelona, Londres, Montreal e Sydney, num concurso promovido pela MTV, através do site TripOutGayTravel.com

É uma cidade abençoada pelo Cristo Redentor, eleito em 2007 uma das sete maravilhas do Mundo. Apadrinhada por São Sebastião, que ganhou até uma catedral em forma de cone em sua homenagem. Contudo, um soldado semelhante a Dom Quixote, que lutava contra o Dragão da Maldade, foi quem conquistou o amor, o respeito e a devoção dos cariocas.

Foi vestido com as roupas e as armas de Jorge que Jean Willis ganhou a quinta edição do Big Brother Brasil. Mas ele não era candomblecista? Era não, continua a ser. Acho até que depois da vitória ele deve ter até levado um “agrado” para Ogum, que é como chamam o santo guerreiro na mitologia Yorubá.

Garanto a vocês que o santo, sendo ele morador da lua, sabe da nossa pouca compreensão acerca dos assuntos do céu. Desse modo, perdoa que prestem culto a ele na capela do Centro do Rio, quando a Igreja de São Jorge fica em Quintino de Bocaiúva, subúrbio do Rio. Um local às vezes pequeno para a quantidade de devotos. Por isso mesmo, o Padre Marcelino reza a missa na quadra do Império Serrano. Ou seja, no terreiro do samba.

A ele pedem proteção e força os traficantes, milicianos e gerentes do jogo do bicho; os policiais e os repórteres, os sambistas… É tanta fé que chega a fazer fila na banca de camiseta na porta da Igreja.

Sua oração prega a não-violência como arma; segundo ela, nem em pensamento poderão me fazer mal. Imagino que seja por isso que horas de tiroteio entre a polícia e os bandidos terminem sem nenhum morto de ambos os lados. No fim, era só barulho e fumaça sob o manto vermelho do cavaleiro romano. Se bem que em Roma, a proteção era dada por Marte, deus da guerra sangrenta e símbolo do masculino.

O site Coisas de Jorge é o resultado da união de quatro artistas: Jorge Aragão, Jorge Vercillo, Jorge Mautner e Jorge Bem Jor, num show feito nas areias de Copacabana em 2007. Nele, além de fotos e vídeos, você encontra a oração de São Jorge e a história dele antes de se mudar pra Lua. Abaixo, Hermeto Pascoal homenageia São Jorge.

Para as homenagens, que começam cedo, com uma saraivada de fogos às cinco da manhã, chamada de Alvorada, o deputado Jorge Babu (PT) criou a lei nº 5.198, que institui o dia 23 de Abril como feriado estadual, e outra anterior a essa, criando o feriado municipal. Garantida a folga, vamos só de festejos, missa e a procissão, que esse ano deve reunir mais de 50 mil pessoas pelas ruas de Quintino. Quem não estiver de uniforme branco e vermelho, cores do santo, pode comprar uma peça de roupa para prestar sua homenagem.

Jornal o Dia – Pela primeira vez, as festas do Centro e de Quintino terão o apoio da prefeitura, e serão prestigiadas pelo arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. O secretário especial da Ordem Pública, Alex Costa, esteve ontem na Igreja de Quintino dando início à operação Choque de Ordem na Festa de Jorge, que só termina às 5h de amanhã. Para impedir a farra de barraqueiros, o município cadastrou 60 ambulantes para Quintino e 29 para o Centro. Todos terão barracas vermelhas e poderão vender alimentos, bebidas, flores e artigos religiosos.

Na minha memória afetiva existe uma tia, cabelos brancos, irmã da minha avó, colocando cascas de ovo nas pontas das Espadas de São Jorge. Era uma mania, pensava, pequeno que eu era. Mas a dona Lindalva sabia das coisas: dizia apenas que era uma simpatia e mudava de assunto. Nunca soube o real motivo, mas desconfio que era para afastar as suas crises de Bronquite.

Lança de São Jorge (à esquerda), e Espada de São Jorge.

POLIDIZERES

*** Propaganda Nada Liminar ***

Se a Rede Globo acredita convencer os telespectadores de que a sua campanha veio antes da campanha serrista, apenas confirma que o seu grau de capacidade sintética e de inteligência é rudimentar, e semelhante ao que eles crêem ser o de seus admiradores: o estereótipo Bonner-Simpson. As referências diretas permitiriam perceber o engôdo. Mais ainda, se a memória não cedeu à velocidade do consumo, e recorda que a emissora sempre esteve ao lado da direita, fosse ela a ditadura militar, fosse ela o tucanato travestido de social-democracia. No entanto, o que a emissora não esperava fosse a reação de seus próprios comandados. Segundo o blog do Marco Aurélio Mello (não o ministro!), um ator global, participante da campanha com modestas duas palavras, ameaçou ir à público denunciar a manipulação, caso a peça não fosse retirada. A Globo, mesmo com a empáfia de sempre, teve de engolir a ameaça do ator, que a despeito de sua consciência política, vota no candidato da emissora. Evidência de que até dos recônditos de um buraco-negro, pode-se esperar um rastro de luz que faça linha de fuga à força gravitacional. No entanto, fica o aviso: alguém precisa de evidência maior que essa de que a Globo faz mal à saúde pública?

*** Dos Equívocos da Razão ***

Serra, igualmente global, também crê na revolução do Homer Simpson, que o aclamará presidente do Brazil. Ao falar sobre Dilma, ele teria afirmado que nem sempre o sucessor repete o sucesso do antecessor, e comparou a indicação de Dilma, por Lula, a de Maluf, por Pitta, anos atrás. Equívoco de quem crê na operação cognitiva de reconhecimento da imagem. Nada de novo advém à inteligência porque a consciência é tomada pelas velhas imagens. Operação cada vez mais presente, por exemplo, na estética televisiva, onde o ícone é o signo predominante, com sua relação direta e sem necessidade de trabalho intelectual. Ficar preso a esse equívoco cognitivo, até é compreensível. O que é ruim à democracia é Serra cometê-lo e achar que o povo brasileiro vai segui-lo. Primeiro, porque Lula não é Maluf, e Dilma não é Pitta, como elas mesmo reiterou, respondendo ao candidato PSDBista: “É uma constatação, por assim dizer, óbvia”. Segundo, porque basta colocar a consciência para trabalhar, afastando as imagens-clichê, para perceber que o governo Lula não se reduz ao Lula, e tem participação de quadros competentes do país inteiro, incluindo Dilma, que assumiu em meio a uma tormenta midiática, e soube navegar com eficiência e competência. Daí o povo ver o que Serra (e o Datafolha) não vêem. Dilma não é Lula, mas é governo.

*** Nova Ordem, Velhas Práticas ***

Costurado entra vários governos nacionais, e fomentado pela indústria, o ACTA, Acordo Comercial Anti-Falsificação, foi esboçado enquanto documento no último 25 de março, pelo governo Obama. Ele se constitui como uma iniciativa plurigovernamental para adaptar a ordem tecnológica de transmissão de dados via internet aos velhos códigos da propriedade privada. Assim, transmissões de informações seriam previamente censuradas, e usuários que baixassem ou disponibilizassem conteúdo, mesmo sendo copyleft (sem direitos requeridos de propriedade), seriam criminalizados. Isso porque o sistema não se reduz ao controle de redes de distribuição que visam o lucro, mas qualquer rede significativamente grande de troca de informações. Se aprovado nessas condições, o acordo poderá trazer malefícios como o fim dos medicamentos genéricos, a criminalização da produção de software livre, o enfraquecimento do processo de fortalecimento econômico dos países do eixo Sul-Oriental (incluindo os BRIC’s), e até mesmo ameaçar empresas como o Google. Trata-se de submeter uma ordem tecnológica que atua sob uma semiótica diferente daquela que estabelece a propriedade privada no capitalismo, a este ordenamento. Surpreendente que Obama, por exemplo, eleito graças à rede mundial de computadores e sua circulação livre de informação, participe deste tipo de iniciativa. Mais uma evidência de que os governos não governam para quem os elege, mas para quem os financia. 

*** Contradições entre Homem e Deus ***

Diz-se que a Lei de Deus alcança até onde a Lei dos Homens não vai. Serve de consolo aos desabonados pela lei humana que aqueles que escapam de sua jurisdição, não escaparão ao tribunal divino. Mas e quando a lei humana expõe a contradição entre criador e criatura? No Rio de Janeiro, o pixador do Cristo Redentor entregou-se e revelou-se arrependido. O que é, na lei divina, primeiro passo para a remissão dos pecados, e o perdão. Bastaria ao pixador uma penitência, a ser paga em prestações oracionais, em foma de aves-maria e padres-nossos. No entanto, o delegado que investiga o caso já afirmou que ele não escapará ao tribunal humano. Onde fica, nesse caso, a superioridade de alcance e importância da Lei de Deus sobre a finitude do conhecimento humano?

*** Praciano/Zé Ricardo, e o velho PT ***

Nem de longe se pode afirmar que o deputado federal Francisco Praciano e o vereador José Ricardo Wendling, ambos do PT, fazem parte do segmento “quero mais é se dar bem”. No entanto, parece que eles serão o desequilíbrio da balança, na disputa interna do partido, no apoio a Omar ou Alfredo Nascimento. Praça e Zé, dois que vieram do povo, e jamais se desligaram dele, exatamente como o PT também é movimento social nascido do povo, a despeito da atuação fisiológica de parte de seus membros,  sabem que é uma falsa dualidade. Tanto Omar quanto Alfredo carregam os mesmos códigos, e vem de um mesmo rastro histórico de gestões antidemocráticas na cidade de Manaus e no Estado do Amazonas. Praça e Zé sabem disso, e sabem que só há uma escolha a fazer. Escolher o PT. Para azar do outro PT, o de Omar, e o de Alfredo.

*** De Volta às Botas! ***

Agripino Maia, DEM, e Eduardo ‘Mensalão Mineiro’ Azeredo, PSDB, dizem ser ridícula a política externa brasileira. Criticam a posição brasileira de dialogar com o Irã, enquanto EUA e Rússia defendem sanções a um país que faz o que eles fizeram décadas atrás. Criticam a postura de Lula, em questionar abertamente posições dos países desenvolvidos, o que é absolutamente natural, considerando que política externa, para esses países, é obediência dos outros aos seus interesses, e o interesse do governo Lula é ter independência. Em outras palavras, para Agripino e Azeredo, a língua do Brasil não está mais onde deveria: nas botas dos americanos.

FOGÓN EM TARDE PLATENSE E QUILOMBOLA DESPACHA URUBU E REINA NA CIDADE MARAVILHOSA

Clique na imagem e baixe o papel de parede do Botafogo Campeão.

Em tarde de pouca inspiração futebolística, mas de ins-piração do ataque botafoguense, o time da estrela solitária faturou a Taça Rio, que é o segundo turno do campeonato carioca. Como já havia levado também a Guanabara, o primeiro turno, sagrou-se automaticamente campeão do Rio de Janeiro.

O destaque do time não foram as belas jogadas e firulas que engrandecem o espetáculo. Isso ficou para o outro alvi-negro, o praiano, que tirou do rumo a agremiação tricolor, do presidente filiado ao DEM e do goleiro Ceni, aquele que tem saudades dos militares.

No entanto, não faltou ao Fogão a potência do negro, personalizada no goleiro Jeferson, da tradição botafoguense de revelar goleiros negros – coisa rara no futebol brasileiro. Jeferson fechou o gol, segurando o ímpeto um tanto desimpetado dos atacantes rubro-negros. Nem love, nem império, conseguiram derrubar a muralha quilombólica da pérola negra de General Severiano. Jefferson, no auge da sua atuação, acarinhou a bola no rosto, desviando-a da meta, e impedindo que o ressentido e enfastiado Adriano deixasse tudo igual, em penalidade máxima. Abdias do Nascimento vibrou.

Enquanto Jeferson garantia lá atrás, na frente, se não o talento refinado, ao menos a garra platense do uruguaio Loco Abreu e do argentino Herrera deram conta do recado. Herrera, fez o primeiro tento, um penal tão mal batido que bastava a Bruno não se mover, mas que na mística, que costuma ser cruel com o Bota, entrou graças ao morrinho artilheiro, que cutucou e fez o suficiente para que a bola desviasse da canela do goleiro flamenguista.

Expulso no segundo tempo, Herrera assistiu do túnel o penal marcado pelo árbitro Gutemberg Fonseca, que não rubronegrizou (ao contrário, amarelou geral para ambos os lados), e viu El Loco Abreu justificar o apelido. Dando um peteco na bola, Abreu demonstrou que Bruno é goleiro previsível – sempre cai pro mesmo lado – e viu a bola descrever bela parábola, beliscar caprichosamente o travessão, e balançar as redes, garantindo a vantagem necessária ao título. O Flamengo, por seu lado, fez um, no apagar das luzes do primeiro tempo, quando os botafoguenses já desciam ao vestiário.

Finda a partida, foi só correr para o abraço da nação alvi-negra, saudosa do grito sufocado por quatro anos de derrotas para o rival, para a festa começar. Agora, o passado não conta mais, e as cores que dominam o Rio de Janeiro são o Negro e o Branco do Botafogo.

P.S: Enquanto isso, na subsede da Copa Verde 2014, o Fast Clube goleava o Sul América, no estádio do Sesi, pelo segundo turno do Amazonense.

FICHA TÉCNICA:

Flamengo 1 x 2 Botafogo

Estádio Maracanã – 18/04/2010, Rio de Janeiro.

Público Pagante: 50.3030 / Presente: 60.748

Renda: R$ 1.677.565,00

Os times:

Flamengo: Bruno, Leonardo Moura (Petkovic), David, Ronaldo Angelim e Rodrigo Alvim; Toró (Vinícius Pacheco), Maldonado, Willians e Michael (Fierro); Vagner Love e Adriano. Técnico: Andrade.

Botafogo: Jefferson, Fahel, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Alessandro, Leandro Guerreiro, Renato Cajá (Edno), Túlio Souza (Caio) e Somália; Herrera e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.

Árbitro: Gutemberg de Paula Fonseca. Auxiliares: Wagner de Almeida Santos e Jackson Lourenço Massara dos Santos.

Gols: Herrera (23’), Vagner Love (45’), Loco Abreu (72’).

MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL: Soltando os Bichos – Parte II

SOLTANDO OS BICHOS – PARTE II

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Para jogar no Jogo do Bicho, bastam duas coisas: a quantia a ser apostada e um palpite. Para a quantia, R$ 1,00 está de bom tamanho. Já o palpite pode vir de várias maneiras. (…) Assim que conseguimos o palpite, vamos para as apostas. Usaremos como exemplo o milhar 1985 (Tigre). É preciso dizer ao anotador em que sorteio corre a aposta (PT, PTN/Federal ou Corujinha), e depois é só conferir aqui no site a lista dos 5 prêmios sorteado checar se ganhou.

O GRES Mocidade Independente de Padre Miguel, escola de samba, foi fundado em 10 de novembro de 1955, a partir de um time de futebol amador da época, o Independente Futebol Clube. No entanto, seu crescimento maior foi após os anos 1970, quando passou a ser patrocinada pelo bicheiro Castor de Andrade, seu grande torcedor. Ajudou a escola a conquistar os títulos dos carnavais de 1979,1985,1990, 1991 e 1996.

Mas sua participação no Carnaval não se limitava a esta escola de samba. Durante décadas, colocou dinheiro na organização dos desfiles, numa época em que os demais contraventores não ousavam aparecer. Deve-se ainda a Castor a fundação da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, que surgiu de uma dissidência da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro. Sob a liderança de Castor e de Capitão Guimarães, dez escolas de samba, financiadas por bicheiros, que eram minoria e sempre derrotadas nas deliberações da Associação, criaram a LIESA, que passou a dominar o Carnaval carioca.

Cahê Rodrigues, carnavalesco da Grande Rio diz: “A ala homenageia o Castor, que foi o primeiro presidente da Liga. Ele será lembrado no segundo setor, que fala sobre a trajetória que as escolas de samba fizeram da Praça Onze até o Sambódromo”. Jornal Extra de 15 de Abril de 2010

Museu da Corrupção – Em fevereiro de 1993, em pleno sambódromo, o patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel, Castor de Andrade, fez discurso de cinco minutos condenando ferozmente a perseguição aos bicheiros do Rio de Janeiro. A juíza Denise Frossard assistiu ao discurso oficial dos bicheiros pela tevê na cidade mineira de Carangola, sua terra natal, onde estava para passar o carnaval.

Jornal O Globo – Em maio de 1993, Anisío Abraão Davi, Ailton Guimarães Jorge, o capitão Guimarães, José Pretus Kalil, o Turcão, e outros onze bicheiros foram condenados pela juíza Denise Frossard, a seis anos de prisão, pena máxima por formação de quadrilha.

Pouco mais de três anos depois, favorecidos por liberdade condicional ou indultos, todos já estavam em liberdade. Valdemir Garcia, o Miro, e Haroldo Rodrigues Nunes, o Haroldo Saens Pena, foram os últimos a deixarem a cadeia, em dezembro de 1996.

Além dos já citados, também foram condenados e liberados os contraventores Castor de Andrade; Carlos Teixeira Martins, o Carlinhos Maracanã; José Petrus, o Zinho; José Caruzzi Escafura, o Piruinha; Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho Drumond; Paulo Roberto Andrade, o Paulinho Andrade; Waldemir Paes Garcia, o Maninho; Emil Pinheiro e Raul Corrêa de Melo, o Raul Capitão.

Em 1994, durante a Operação Mãos Limpas, o Ministério Público e a Polícia Militar estouraram uma fortaleza do bicheiro Castor de Andrade e apreenderam livros-caixa e US$ 3 milhões. A operação comprovou que os bicheiros também exploravam máquinas caça-níqueis. Na contabilidade, foram encontrados nomes de políticos e policiais – suspeitos de dar proteção aos contraventores em troca de propinas.

Entre os nomes citados nos arquivos encontrados na casa do bicheiro estava o então vice-governador Nilo Batista, o prefeito Cesar Maia e o ex-deputado federal e cantor Aguinaldo Timóteo, que negaram envolvimento com os contraventores. Eles teriam recebido ajuda financeira na campanha para as eleições de 1990 e 1992. O total pago pelos bicheiros chegou a US$ 1 milhão

Portal Terra – Marco no combate aos "capos" do jogo do bicho, um dos processos com 40,2 mil páginas que chegam a 160 kg sobre a descoberta da fortaleza de Castor de Andrade, de 1994, pode ir para o lixo. A papelada já tramita na Justiça há 16 anos e perde a validade daqui a três meses, pelas contas do Ministério Público (MP). Na ação, são alvos 42 policiais, dos quais quatro morreram. Seus nomes foram citados nas listas apreendidas pela "Operação Mãos Limpas", do MP e da polícia, que trouxeram à tona a suspeita de recebimento de suborno do crime organizado.

Durante esses anos, a ação teve pouco efeito na vida dos acusados. Um deles, o então tenente da PM Álvaro Lins, alçou voos altos enquanto o processo seguia na Justiça. Ele deixou de ser oficial da PM, passou em concurso para a Polícia Civil, ocupou o cargo máximo de chefe da instituição, elegeu-se deputado estadual, foi cassado e preso – depois solto –, sob a acusação de envolvimento novamente com o jogo do bicho. Ele responde a processo na Justiça Federal.

Quem ficou na PM também não foi incomodado por causa do processo. Atualmente, três oficiais estão à frente de batalhões operacionais e um ocupa a chefia administrativa do Estado-Maior, posto só abaixo do Comando Geral. São Adilson Lourinho da Silva, do 31º BPM (Recreio); Alec Moura, do 40º BPM (Campo Grande); Carlos Henrique Alves de Lima, do 5º BPM (Centro) e Carlos Eduardo Millan, do Estado-Maior.

O primeiro julgamento do processo aconteceu em 1998. Na ocasião, 21 foram absolvidos, entre eles Millan, e 21 condenados. Mas nem as defesas nem o Ministério Público ficaram satisfeitos.

Eu sei e todo mundo sabe quem são os patronos das escolas de samba. Vou sempre cumprimenta-los aqui”.

Do então prefeito César Maia, em 1993, sobre os abraços que deu em bicheiros no carnaval.

MUITO ALÉM DO CARTÃO POSTAL – “Soltando os Bichos – Parte I”

Soltando os Bichos – Parte I

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Quando eu era pequeno e tinha que fazer o caminho até a escola sob a guarda vigilante da minha mãe, avistava sempre um senhor obeso sentado na sua cadeira escolar, daquelas com a prancheta presa, anotando seus apontamentos. Depois, quando voltava pra casa, ele já tinha dado por encerrado seu expediente, sobrando no local um poste com suas seqüencias de números coladas. Minha vizinha de porta até conhecia o tal sujeito e o cumprimentava toda vez que passava por lá.

Vinte anos depois, acontece uma perseguição no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. No carro um jovem de dezesseis anos, correndo por uma avenida; no carro ao lado, cinco homens e do outro, uma motocicleta. E no fim, uma grande explosão.

Jornal O Dia:

“Diogo Andrade, de 17 anos, era muito ligado ao pai. Ele era filho de Andréia, ex-mulher do contraventor. No tempo em que Rogério Andrade ficou preso, o filho costumava visitá-lo diariamente. Eles malhavam juntos, em uma academia da Zona Oeste, todas as manhãs. Com a separação dos pais, Diego chegou a escolher morar com Rogério, na Barra da Tijuca. O corpo de Diogo já está no IML no Centro do Rio.” 09/04/2010

História

O jogo do bicho é uma bolsa de apostas ilegal em animais, e foi inventado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, em Vila Isabel (hoje localizado nos fundos do parque Quinta da Boa Vista, no Bairro de São Cristóvão).

Permitindo apostas de "simples moedas a tostões furados", e isso em uma época em que a recessão tomava conta do Brasil, essa modalidade de jogo rapidamente se alastrou pelo país e tornou-se para o pobre algo comparável ao que é a bolsa de valores para os mais abastados.

Na hierarquia do bicho, o "banqueiro" é quem banca a totalidade do jogo e quem paga a banca. O "gerente de banca" ou do ponto, é quem repassa as apostas ao banqueiro e o prêmio ao vendedor. O vendedor é agregado ao gerente de banca, e é quem escreve e quem intermedia pagamento entre o apostador e o gerente.

O avô de Diogo se chamava Castor Gonçalves de Andrade e Silva, e é considerado o mais poderoso bicheiro que surgiu no Brasil. Nascido em 1926, estudou no colégio Pedro II e formou-se em Direito. Após a morte de seu pai, Eusébio de Andrade, Castor herdou a banca de bicho e a transformou num império.

Conforme nos informa a Wikipédia, “Castor transitou com prestígio e desembaraço pelo poder. No governo militar diversos generais lhe dedicaram atenção especial, a ponto de um secretário de Segurança do Rio de Janeiro daquela época, o general Waldir Alves Muniz, ter recebido instrução para "evitar problemas com Castor de Andrade". E o ex-presidente João Figueiredo (último presidente do regime militar) quebrou o cerimonial certa vez, afastando-se do grupo de autoridades que o cercava e indo pessoalmente cumprimentar o bicheiro”.

Futebol

Castor foi presidente de honra e grande financiador do Bangu Atlético Clube, time criado em 1904 e que até hoje lhe rende homenagem como pode ser visto neste vídeo (clique), observando o canto direito superior, próximo ao símbolo da ESPN.

O próprio site do time exibe a reportagem da Revista Destaque de 1982, com uma reportagem intitulada “O Melhor Amigo”, onde se lê: “Sendo ele dirigente do Clube, advogado, desportista e filho do inesquecível "Sr. Zizinho", ele faz e dá de tudo para o seu clube. O nosso Bangu possuí e sente-se honrado com um componente de vital importância, um extremo colaborador, um amigo de infância de vários membros da presidência, como por exemplo, do Sr. Antenor Vicente Corrêa Filho que sempre afirma: "Castor é o Bangu e é Bangu".

Em entrevista ao programa do Jô, Castor de Andrade contou que seu trabalho na contravenção começou com a avó Eurídice, que era viúva, e mantinha uma banca de jogo de bicho na rua Fonseca, em Bangu.

 

(Continua…)

A MÍDIA TANATOFÁGICA, POR CARLOS LATUFF

 

@CarlosLatuff

SEGUNDO GARCIA, GOVERNO FEDERAL AJUDARÁ O RIO NO QUE FOR NECESSÁRIO

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou que “O governo destinará todos os recursos necessários (para o Rio de Janeiro). E completou dizendo: “A questão do Rio é nacional. Mesmo que a responsabilidade do que ocorreu lá não seja do governo federal, o governo não faltará ao atendimento das vítimas”.

O presidente Lula já se comprometeu em enviar R$ 200 milhões para o Rio de Janeiro por meio de Medida Provisória (MP). E mais recursos serão enviados para contribuir na ajuda as pessoas atingidas pelos fortes temporais que resultaram em desabamentos, mortes e em desabrigados.

O assessor especial da Presidência, falou enquanto participava de um almoço oferecido ao presidente do Chile, Sebastián Piñera, no Itamaraty. Piñera, que recentemente viu o seu país sofrer em decorrência de um terremoto, prestou solidariedade ao povo fluminense. “O presidente Piñera se disse chocado com o que ocorreu no Rio e colocou-se à disposição para ajudar no que for necessário”, afirmou Marco Aurélio Garcia.

É muito claro o fato de que as chuvas fortes no Rio de Janeiro, não é a causa para todos os problemas que a partir dela foram provocados. Trata-se, antes, de um conjunto de problemas urbanos onde questões educacionais, econômicas, espaços e propriedades sem funções sociais, especulações imobiliárias e uma forte opressão de classe, entre tantas mais, próprias de um capitalismo financeiro, fazem parte.

Contudo, em vez da grande mídia tratar destes assuntos de modo responsável, podendo realizar análises coerentes sobre estas questões, ela procura por em prática o seu método jesuítico de empurrar olhos e ouvidos abaixo dos telespectadores, a imposição de sua mais do que revelada posição partidária. Realiza reportagens onde abusa da espetacularização, explorando a dor, o sofrimento e a angústia alheia ao mesmo tempo em que, irresponsavelmente, vai colocando, ora diretamente ora indiretamente, uma suposta culpa no governo federal.

Uma atitude natural daqueles que não conseguem compreender a democracia como relação de amizades necessárias a invenção de outros modos de existência, mas, ao contrário, persistem na tradição infeliz do rancor e das atitudes reativas.