1) Sobre o suposto estupro BBBanal, obsceno não é um estupro transmitido em cadeia nacional. É existir uma sociedade cujos mecanismos de produção de existência cheguem ao ponto degradante de necessitar simular o real para não ter de elaborá-lo. Uma sociedade onde o absurdo precisa ser simulado para que o absurdo do real possa ser apagado. Existir uma emissora que utiliza o espectro eletromagnético para transmitir tal programação, é, por si só, estupro o suficiente, e coletivo. De resto, o ocorrido, se ocorreu, é assunto pessoal, restrito à esfera jurídica da individualidade genital de cada um dos envolvidos.
2) Sobrevivente do naufrágio do cruzeiro marítimo italiano diz que se sentiu “como se estivesse no Titanic”. Ora, o inusitado não é a “lembrança” (ela jamais poderia se sentir no Titanic, pois nunca esteve lá). É a substituição gradual da experiência factual pela imagem produzida pela sociedade telemática. Não se vive mais a experiência, ela não é elaborada, não produz modos de existir. Apenas faz-se um registro mnemônico, sob a referência do imaginário social, registra-se e arquiva-se. Embotamento afetivo e existencial puro.
Bem vindo ao mundo do suprarreal!



Na nossa sociedade o “real” é o que o Grande Irmão diz que é real. Como bem disse Jiddu Krishnamurti, “não é sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”.
Abraço!